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segunda-feira, setembro 30, 2019

O homem é o lobo do homem


   
      
       As vezes eu não quero nada. Ou será que as vezes a gente, nós todos, não queremos nada? As vezes tudo pareceria melhor dentro de um barquinho perdido no meio do mar. As vezes a música favorita não compensa o mau dia, as vezes os pássaros cantando não podem ser notados. As vezes a gente queria poder ter o mundo nas mãos, porém em outras vezes o mundo parece pesar muito mais do que aquilo que a gente pensa poder carregar. Será mesmo que a gente só tem aquilo que merece e devemos ser gratos por tudo isso?
      O que você faz quando passa por um animal doente ou por uma pessoa perdida nas ruas? O animal é mesmo mais doente que você e por isso não merece mais a atenção de ninguém, porque simplesmente nada adiantaria? Aquela pessoa, ela é pior que você? Por que? O que você pensa que é senão um pontinho, um grão de areia, uma gota d'água no meio de um infinito que você nunca vai conhecer? Nós não somos nada, nós não podemos tudo e nunca teremos tudo. A sua dor não é maior que a dor do seu próximo.
      Nós estamos acostumados a andar em nossas construções, a pensar o quão grande somos e nos sentirmos plenos em nosso castelo de cristal. Todos nós somos assim, eu, você e aquele outro que você inveja porque o diamante dele é maior que o seu. Não é somente você que pensa que é bom em algo, que pensa que sabe tanto e que pode tudo e que nada deve a ninguém. Todos nós devemos algo, se não a alguém, a nós mesmos.
      É no mínimo engraçado quando os cristais começam a rachar e notamos que nada passa de um simples vidro brilhante. A gente espera comoção, a gente espera compreensão. Queremos que nos notem e que nos acariciem e nos aninhem como bebês porque aquilo que a gente pensou que era e pensou que poderia ser de repente não deu certo. A gente se esquece que devemos continuar por nós mesmos e que ninguém é responsável pelas nossas próprias escolhas e pelos nossos próprios erros. As pernas são nossas, o remo daquele barquinho perdido no meio do mar é nosso também, por isso, agarre-o e sempre, mesmo sozinho, siga em frente. Pode ser que a luz não esteja presente lá no fim do túnel, mas ela seja tudo aquilo que você aprenderá no caminho. 


Somos o pior inimigo de nós mesmos. 

domingo, outubro 28, 2018

Resiliência

Imagem para a postagem "Resiliência" - Blog Amor e Oxigênio

Continue. Continue com todas as dores e mágoas e apertos bem fortes no peito. Continue apesar da vontade de sair correndo, de pular, de enfim voltar antes mesmo de ir embora. Continue enquanto a chuva indecisa ainda não vem. Continue apesar dos ventos fortes. Continue, mesmo sentindo o peso do esquecimento obrigatório nas costas. 
Continue mesmo com o medo de não saber em que ponto se deve voltar para recomeçar. Continue a partir da linha torta, não faz mal. Continue mesmo que não houver ninguém para lhe abraçar e lhe erguer se você cair. Continue mesmo com as mãos fracas e os olhos embaçados.
Continue mesmo querendo cantar enquanto lhe dizem que a sua voz não é boa. Continue enquanto você desenha traços errados de um corpo que na sua imaginação é perfeito. Continue caso o seu cabelo voe e permaneça bagunçado. Mude o cabelo ainda quando lhe disserem que ficará feio. Continue quando o esmalte preto estiver descascando nas unhas, isso significa que você não tem medo de se desajeitar enquanto se agarra ao mundo. Continue quando a estrada for íngreme demais para subir e seus joelhos parecerem não suportar. Continue quando a sua condição não estiver no padrão reconhecido socialmente. Continue quando as roupas naquela loja dos sonhos não couberem mais em você.
Continue quando a respiração estiver fraca, quando mais uma lágrima cair.
Continue e você montará o quebra cabeças de si mesmo, de queixo erguido.
E, continue, mesmo que você não faça ideia de como será o final da jornada.

quarta-feira, setembro 05, 2018

Partigiano

Foto para a postagem Partigiano no blog Amor e Oxigênio.


Os pássaros voam dentro de uma redoma de vidro sem saber que estão dentro dela. Eles batem asas ao voo livre, voam em direção ao céu, crendo que são livres. Pobres animais, bateram o corpo no vidro que os cerca, tontearam e, por fim, foram jogados em queda livre na direção do chão.
Um peixe tenta escalar um árvore, um macaco pensa que pode e deve mergulhar. As flores tentam se manter firmes mesmo no outono, os girassóis deixam de acompanhar o sol, na expectativa de agradarem a formosa noite.

A menina caminha, sem saber em qual direção. O bosque está fechado, as luzes apagadas. Onde está a luz dos seus olhos? O que levou aquele brilho embora? O mundo as vezes parece que mudou de cor. 
O tempo continua nublado, como na grande maioria das vezes, porém não há mais aquele vento morno, anunciando tempestades, ainda que exista, em raras situações, uma garoa fraca. A menina continua o seu caminho, indo e voltando de lugares, observando os carros, as crianças, os animais de estimação. De vez em quando, os carros parecem não comportarem pessoas dentro dele, parecem apenas mais um objeto, mais um item descartável. As crianças, quanto mais menores, mais salvas parecem: são inocentes, brincam, andam de mãos dadas com o seu guardião, não reconhecem a preocupação de aparecerem, interagirem e serem notadas no mundo que as cerca e não entendem e dessa forma também não participam, da fluidez com que as coisas são criadas, desmanchadas e recriadas novamente no ambiente onde estão. 
A menina pretende nunca desmoronar, nunca deixar de acreditar em um novo amanhã, nunca deixar de tentar novamente, por mais que se sinta, frequentemente, dentro de um aquário, nadando ano após ano no mesmo local enquanto busca por alguma novidade, o que faz com que perca, por muitas vezes, a sua força.
No fundo, ela sabe que tudo sempre passa e o mais importante é permanecer de mãos dadas com o seu heroi, que a protege dela mesma e tem paciência suficiente para esperar por um novo amanhã.

Será ela, ao lado dele e de mãos dadas, a resistência ao mundo que lhe arranca o brilho dos olhos. 

quarta-feira, julho 18, 2018

Aquele velho navio

Imagem para a postagem "Aquele velho navio" no blog Amor e Oxigênio

Naquela manhã a chuva era fraca como essas manhãs de agora, o vento não era desses mornos, que antecedem tempestades, mas soprava em boas direções para quem ousasse navegar em um grande navio. Neste navio, a menina embarcou. 
De vez em quando as noites foram estreladas, cheias de brilho e novidade, com longas conversas e boas bebidas para a menina e o seu acompanhante, o general. Entretanto, algumas outras noites não puderam alegrar a todos, tendo lá as suas tempestades, que as vezes realmente faziam os marujos a bordo tremerem, mas em outras, as tempestades criadas pela própria menina, cabiam em um copo d’água e não assustavam ninguém além dela mesma.
Alguns dos momentos da vida da menina, ao lado de seu acompanhante naquele velho navio, foram os mais felizes que ela já viveu e mesmo que uma onda gigante os engolisse para dentro do mar e simplesmente levasse tudo embora para sempre, ela saberia que teria valido a pena. 
A bordo do navio, menina também pôde aprender que viagens longas, ainda mais realizadas a dois, merecem o máximo cuidado e o máximo de companheirismo e confiança, pois sozinhos somos incapazes de manter o navio inteiro, de segurar o leme e levantar as velas. Sozinho, aquele velho navio não se move e cada segundo sem o acompanhante é uma pausa no meio do mar, dentro de uma tempestade, sem bússola, mapa ou luz das estrelas e, assim, tudo deixaria de fazer sentido. 

Bruno, tu é a minha luz. Sempre.

quarta-feira, julho 11, 2018

Vinte e dois

Imagem para a postagem "Vinte e Dois" do blog Amor e Oxigênio

Hoje a menina acordou em uma manhã chuvosa e cheia de afazeres para irromper com o silêncio da noite passada. Esse dia, apesar da chuva, apesar dos afazeres, apesar do barulho, é um dia especial. É o dia em que nasceu aquele brilho, o dia em que aqueles olhos abriram pela primeira vez e uma nova esperança e uma nova música surgiram. 
Nesse dia, a menina somente deseja poder sempre comemorar essa data tão especial ao lado dele, o seu amor, o seu herói. Com ele a menina renasceu, reaprendeu, enxergou novos motivos para sorrir, novos motivos para sonhar, para sentir. Com ele, a menina aprendeu e ensinou, viu e mostrou, ouviu uma nova história e tocou uma nova melodia. 
Obrigada, meu amigo, meu namorado, meu general cheio de anéis, por ser tão insubstituível em minha vida. Parabéns pelo seu aniversário, parabéns por continuar sempre em frente, com os olhos sempre brilhantes e a esperança sempre latente. Obrigada por dividir mais um dos teus anos comigo, anos estes em que sempre compartilhamos aprendizados, experiências, sonhos, e peço, claro, que permita sempre seguir em frente ao teu lado.

Porque quando a menina entendeu o que acontece quando se ama, ela notou que sem o amor nada sobrevive, muito menos ela. 

sábado, maio 26, 2018

O despertar da força

Imagem para a postagem "O despertar da Força" no blog Amor e Oxigênio

Parece que, finalmente, a menina completou um ciclo daqueles ciclos que faziam parte dos seus sonhos para a posteridade. Um ano depois e tudo mudou, assim como as fases da lua mudam, assim como um livro muda parte daquilo que pensamos saber sobre o que somos e de onde viemos e assim como as árvores, que antes perdiam somente as folhas, podem agora também ser podadas e, por fim, voltarem a crescer. A menina relembrou que tudo pode passar e que todas as coisas são frágeis demais. Por conseguinte, ela ainda descobriu que algumas flores difíceis de cuidar nos são dadas por pessoas especiais e que merecem toda a nossa atenção. Além do mais, essas pessoas especiais cuidam mais da gente do que de qualquer flor. Há um ano atrás os olhos da pequena menina voltaram a brilhar, o coração voltou a acelerar e a força enfim se despertou. Há um ano atrás as chuvas se tornaram boas e fáceis de encarar, o sol ganhou mais vida, o sopro do vento fez-se mais descansado. Ele finalmente chegou. Ele chegou e trouxe a força com ele. Ele chegou e deu para a menina todo o seu coração e a menina deu todo o dela de volta. Ele chegou e permaneceu. Ele chegou e tornou-se o super herói da menina que nem merecia ter um herói particular. Ele tem os olhos mais brilhantes e complacentes do mundo. Ele tem o sorriso mais sincero que ela já viu e que faz a vida toda parecer mais leve. Ele tem as mãos mais seguras e mais afáveis e possui o calor mais confortante e mais protetor que a menina já sentiu. O seu herói é de carne e osso. Ele respira, ele é capaz de sentir, rir, chorar, se enraivecer, amar. A menina já sentiu vontade de colocá-lo em uma caixinha e nunca mais tirar os olhos dele. A menina já quis morrer envolta naquele abraço, pra que o mundo nunca mais existisse sem o som das batidas do coração dele. E, por fim, parece que apenas começamos.

Dois anos de uma grande árvore

Imagem para a postagem "Dois anos de uma grande árvore" no blog Amor e Oxigênio

Porque há dois anos atrás ela não imaginava o tamanho da árvore que havia plantado e nem o quanto essa árvore cresceria. Porque dele é o coração dela, com todos os medos e os segredos. Porque, depois de dois anos, o mundo já não parece ser igual a antes. Nem mesmo o vento tem o mesmo toque. Nem mesmo as músicas que ela ouvia antes fazem algum sentido se ele não ouve com ela e dá a sua opinião sobre aquela letra que falava de um amanhã melhor. Porque as calçadas tem outro tamanho quando se está em par e isso é muito bom. Porque os cheiros, os gostos e até mesmo o olhar mudaram com esses dois anos que foram os em que a menina mais aprendeu e provavelmente mais cresceu. Ele esteve com ela e fez aquela grande árvore brotar e crescer. Ele esteve com ela e é melhor do que qualquer um pode ser. Em cada momento, sendo bom ou não, ele lhe deu a mão e mostrou um caminho novo. Ele esperou passar a chuva que a árvore que a menina plantou não suportou. Ele esperou debaixo da árvore e também, algumas vezes, se molhou. Ele também sentiu os raios do sol e a sombra perfeita pro calor que as vezes fez. Muitas vezes a árvore foi arranhada, mas está a cada dia mais curada e ele esteve junto da menina, zelando pela árvore, que agora fixa as suas raizes em um solo cada vez mais seguro. Obrigada por ser como você é. Obrigada por me dar a mão e por estar comigo em todos os momentos, inclusive quando as vezes não parece bom. Obrigada por compartilhar comigo a sua vida e por permitir que eu faça parte dela. Obrigada por sorrir, por sonhar, por cantar mesmo que fora do tom. E me desculpa por não escrever um texto tão bom.

quarta-feira, fevereiro 14, 2018

Uma gota no oceano

Imagem na postagem "Uma gota no oceano" do blog Amor e Oxigênio

A menina está tentando se acalmar, mas a paisagem passa muito rapidamente por seus olhos enquanto o carro corre. Ela entendeu que não precisa começar novamente, e muito menos precisa de mais tempo para perceber onde está. Isso depende somente dela, e talvez tenha sido sempre assim.
O vento sopra através da janela, o clima quente não a incomoda mais, uma vez que está em casa agora. Todas as árvores balançando, todos andando, todos impetuosos por vencer o mundo, mesmo que se precise ir contra o universo inteiro, mesmo que se perca um amigo nessa jornada. Parece tão difícil ir mais devagar. Parece tão difícil acreditar que existe um momento certo para todas as coisas e que não se deve adiantar os desprazeres e as dores da vida enquanto os males nem mesmo ocorreram.  
É tão difícil fechar os nossos olhos perante um mundo de caos. É tão difícil tentar ir mais devagar, porque as vezes parece que as ondas do mar irão nos levar para muito longe daqui e nunca mais nos encontraremos. 
Não vale a pena se for pra não ser verdadeiro. Não vale a pena se não for pra acreditar num amanhã mais calmo. Não vale a pena se nunca mais pudermos nos deitar naquele gramado e somente olharmos o céu. Não vale a pena se tivermos que sempre perder amigos e se sentir no dever de esquecer as boas lembranças. Não vale a pena se não soubermos o que é verdadeiro e o que não é. Nada fará sentido se um dia decidirmos nunca mais nos ver. O céu perderá o seu azul e a chuva não cessará nem mesmo ao fecharmos nossos olhos. Você se tornaria mais uma gota no oceano, mas ainda assim seria a gota que eu conheci. Mesmo de longe eu poderia saber que seria você e tudo o mais não importaria novamente.
A menina acredita que possamos ir mais devagar. Não precisamos começar novamente, não precisamos voltar ao início, não precisamos acabar. 

quarta-feira, agosto 31, 2016

Tempo

       
Imagem na postagem "Tempo" do blog Amor e Oxigênio
             Não se pode mais parar no meio da estrada. Não se pode mais dar um abraço bem apertado e se mergulhar em lágrimas. Não se pode mais ouvir aquela velha música acompanhada com um café. Não se pode mais deitar na cama, enrolar-se e simplesmente dormir. Não se pode mais olhar no fundo daqueles olhos e o ouvir daquela boca as palavras mais lindas do mundo. Não se pode mais ouvir dizer que o mundo anda muito rápido e que tudo está virado em um caos. Não se pode mais dar as mãos e não querer nunca mais soltar. Não se pode conversar. Ouvir. Dizer que sentiu falta de alguém. Não se pode brincar, nem mais escrever. E hoje, logo pela manhã, descobri que já não se pode olhar para o céu e, em meio às nuvens, admirar o sol nascer. Nem ao menos fitar o que antes chamaríamos de infinito, posto que agora é somente um dia comum.
           Nós queremos o mundo de volta e queremos o mesmo vento que ventava naqueles fins de tarde na primavera passada. Quero muito, e você sabe, os mesmos pingos da chuva de setembro passado, onde outrora eu te conheci. Quero tanto e se o mundo todo parasse pra ver, veria que tudo o que eu quero no fim se resume em ficar com você.

quarta-feira, junho 01, 2016

Um café

   
Imagem na postagem "Um café" do blog Amor e Oxigênio
        O vento bate em nossas costas e aquilo se parece com a liberdade que sempre desejamos ter. Os raios do sol numa tarde de inverno refletem nos seus olhos, e aquilo lembra um afago amigo do qual ela antes sentira tanta falta. A rua está cheia de folhas caídas no chão. Isso, sem querer, nos fez ter vontade de chutar a calçada. 
       Sim, ela esperava por tudo isso como sempre esperou em cada novo ano, porém, agora, esses pequenos detalhes nos trazem uma vontade quase impulsiva de correr de mãos dadas e chorar de rir. Momentos assim, meus caros, são praticamente inesperados em nosso cotidiano, portanto, devem sem dúvida, serem aproveitados. 
      Há muito tempo que não falamos aquilo que está em nossos corações, há muito tempo deixamos a desejar com as nossas mágoas mal resolvidas, nossas questões internas e quase secretas, da qual nos afastamos, não mencionamos, fingimos não existir. Nós também somos fracos, também temos medo, também queremos somente que tudo fique bem no final. A gente precisa das nossas mãos dadas, porque sem isso o mundo parece não girar. Somos poeira estelar, vagando no espaço. Somos um ponto azul no meio do nada. Pra quê sermos importantes? Para quem sermos importantes? Para quem seja importante também e somente para esse "quem". 
      O vento bate em nossas costas, faz um barulho quase assustador em nossas janelas. Ainda assim, nós estamos a salvo. Nós estamos vivos e estamos olhando em nossos olhos com a maior resplandecência possível. Sinceridade, isso eu prometo para nós.

quarta-feira, maio 04, 2016

Meu herói


Imagem na postagem "Meu herói" do blog Amor e Oxigênio
     Talvez ela tenha passado muito tempo procurando por algo específico e deixado de viver o momento que lhe entregavam como um presente em suas mãos. Talvez ela tenha visto as folhas das árvores amarelarem e caírem outono após outono, mas não tenha se dado conta do que realmente aquilo significava. Talvez ou, na realidade, muito provavelmente, ela tenha deixado os anos passarem sem com que as folhas amarelassem e caíssem dentro dela e, por consequência, sem amadurecer novos frutos, novos ideais. 
     Talvez o café que ela estava acostumada a beber todos os dias de manhã, não fosse antes tão saboroso quanto agora é. Talvez chutar as folhas de outono que caem naquela rua tão conhecida não fosse antes tão divertido quanto agora é. Talvez e, na realidade, muito provavelmente, cada novo surgir do sol antes não tivesse tanto sentido quanto agora tem. 
      Ela encontrou quem risse das suas piadas infames. Ela encontrou quem chutasse as mesmas folhas e tomasse sempre o mesmo café. Ela encontrou quem achasse graça nos momentos em que ela falasse sozinha. Ela encontrou alguém com muitas manias, que embora diferentes das dela, não são menos importantes. Ela encontrou alguém com ideais austeros e exímios de opinião. Ela encontrou alguém que erra e admite que errou. Ela encontrou alguém que conserta. Ela encontrou um sorriso que por vezes é quase tímido, mas que constantemente se manifesta e resplandece no brilho do olhar. Aliás, "encontrou" aqui é somente para efeito de construção frasal. A menina não encontrou, pois ele não estava perdido. A menina conheceu. Reconheceu. Aconteceu. 
    No fundo, ela sabe que ele também foi um pouco responsável por salvar-lhe da completa escuridão. Ela admite que a vida é feita para se aprender e que nada está completamente solucionado, já que ainda haverão outras questões. Por hora, o que importa é que ela encontrou o seu herói, que faz o mundo ganhar um novo sentido e se tornar um lugar menos ruim de se viver. Sim, um herói sem capa e que ainda aprende a entender a vida, assim como ela.

E, por esse herói, o coração da menina arde.

sábado, março 19, 2016

Que o amanhã pra sempre viva

Imagem na postagem "Que o amanhã pra sempre viva" do blog Amor e Oxigênio

O inverno ainda não chegou, contudo muitas folhas já caíram e muitos galhos já secaram e floresceram novamente. Nos últimos meses, a menina chutou as folhas de outono que caíam pelas ruas algumas dezenas de vezes a mais do que o número de chutes que deu durante o tempo que vivera da sua vida até ali. O tempo ainda não passou, mas é como se tivesse subitamente voado e lecionado à menina coisas que vão desde a pré história até o fim dos tempos e, ao passo atual, ela sabe que não chegou a nenhuma espécie de conclusão apropriada.
Hoje à tarde, a pequena menina decidiu correr novamente. Sim, ela sentiu falta dos pássaros que antes mal conseguia avistar, parecendo mais como borrões em uma tela de pintura colorida de azul. Ela sentiu falta dos pulmões cheios de ar e das vezes em que admirava a astúcia dos cachorros e gatos que perambulavam na avenida em busca de abrigo e proteção. Pode-se dizer ainda que ela tenha até sentido falta de estar verdadeiramente sozinha enquanto se sentia dessa forma, pois o pior estado de solidão é aquele em que estamos acompanhados ao mesmo tempo em que estamos sós e, inquestionavelmente, por vezes isso ainda persiste dentro dela. Nesta tarde, a menina tentou imaginar onde se abrigam todos aqueles pássaros quando a noite vem e tentou imaginar qual fora o local de nascimento dos animais de estimação abandonados. Mesmo sabendo da irracionalidade destes seres, ela se colocou no lugar deles e deu-os sentimentos imaginários. Por alguns segundos, a menina sentiu o que, para ela, os animais desamparados sentiriam: as pessoas veem, olham, passam e, por vezes, até alimentam, mas na realidade quase ninguém se importa com o bem estar, aliás, as pessoas são assim, e elas é que são racionais e corretas, não é mesmo?!
Não, a menina não chegou a uma conclusão sobre tudo o que aprendeu e ainda vem aprendendo, mas elegeu como primeira certeza o fato de que ninguém precisa se contentar com tentativas. Vá e faça e espere que façam também.

Chegado o final do dia, a menina desenhou um coração no vidro embaçado do banheiro, desejando que o coração dela nunca parasse de acreditar no amanhã.

terça-feira, fevereiro 23, 2016

Que horas tu virás?

Imagem para a postagem "Que horas tu virás?" do blog Amor e Oxigênio

Provavelmente ela nunca saiba falar com exatidão o que sentia por ele e desde quando começou a sentir algo mais forte. Talvez ela nunca saiba explicar como as coisas se transformaram no que hoje elas são e ainda insisto em dizer que talvez ela nunca quis, antes de tudo, que a vida tomasse esse rumo.
Como estamos agora? Estamos em um abismo, fitando a sua beira com a mesma inocência de uma criança inocente e perdida ou estamos presentes e cientes do quanto isso é importante e do quanto nossas atitudes são definidoras de nossas vidas e, quem sabe, da vida de uma nova geração? O que sou? O que sei agora? O que me tornei?
Sim, não sou a mesma de semanas atrás. Embora eu tenha o mesmo gosto por alguns aspectos peculiares da vida, não tenho mais a mesma visão de como posso sentir o mundo exterior que me cerca. Sou somente eu que me encontro nessa esquina? Não sei se posso confiar cegamente nos olhos que me observam com tanta atenção. Não sei até onde posso prever algo, ou até onde posso tentar diagnosticar e remediar as feridas quase cicatrizadas e a culpa aparentemente perdoada, mas que, quando lembrada, nos rodeia como a presença de alguém estranho é temida em nossos pátios. Nos lembraremos de tudo, mesmo que o pra sempre deixe, porventura, de existir. No fundo, saberemos que fomos os primeiros a assistir aqueles episódios tão aguardados. Nós seremos sempre os nossos primeiros, ainda que, com o passar das décadas, a distância na presença comece a morar em nós, apesar de toda a relutância que possa vir a existir.
Por fim, suplico pra que não nos esgotemos de amor, coragem e sinceridade. Porque se algo maior existe, esse algo está em ti. E, para mim, o brilho dos teus olhos reflete todas estas coisas.

domingo, fevereiro 14, 2016

Cores

Imagem para a postagem "Cores" do blog Amor e Oxigênio

Aquele foi somente mais um dia qualquer, entretanto, no final dele, o céu resolveu mostrar as suas cores. Assim como ocorre quando as coisas boas surgem na vida de alguém, nem todos perceberam aquele momento único e sublime. Outras pessoas, porém, perderam a chance de ficar em silêncio observando e fotografaram as nuvens cor de rosa. Sim, uma fotografia será guardada intacta por décadas, mas por muitas vezes o presente deve ser mantido e cultivado no instante em que ele é vivenciado.
A menina passou uma vida buscando novas etapas e novos sonhos para serem sonhados. Aliás, ela fez mais: Passou o seu presente planejando o futuro e imaginando as novas pessoas do seu futuro, esquecendo-se, assim, de que haviam amigos ao seu lado e, incontestavelmente, esqueceu de olhar para as borboletas que bajulavam as flores vivas e esqueceu da imensidão azul acima dela. No fim, por sorte, ela acordou.
Acontece, meus caros, que queremos tudo e queremos tudo de todos. Acontece ainda, que quereríamos mais assim que conquistássemos tudo. Uma hora na vida a gente precisa aprender que o nosso presente mostra, em frente aos nossos olhos, o futuro que buscamos enquanto ignoramos o dia a dia. Será mesmo que já não somos ganhadores há muito tempo e ainda não percebemos?
No fim das contas, a menina deixou de ser covarde e assumiu as suas palavras e o seu presente como sendo o sonho tão esperado daquele futuro antigo que era igualmente tão incerto. A vida é valiosa, e aqueles olhos olhando no fundo dos olhos dela são ainda mais. Igualmente, ela não pôde, de forma alguma, se opor ao que cativou e ao que levou ela a ser cativada também. Cada segundo deve ser aproveitado, cada milímetro de vida deve ser respeitado, cada segundo de felicidade deve ser desfrutado e desenvolvido. E essas coisas devem ser assim simplesmente porque elas existem e, especialmente, porque assim como as cores do céu em um final de dia, elas são absurdamente raras, pois amores recíprocos são raros do mesmo modo.

Poucos sabem o quanto isso é incrível.

segunda-feira, fevereiro 08, 2016

Estrelas

Imagem para a postagem "Estrelas" no blog Amor e Oxigênio

Talvez o céu não tenha as cores mais belas como foi outrora, mas mesmo assim já é passada a hora de acordar. A menina despertou e saiu a passos largos, mesmo percebendo que não estava atrasada. Sim, ela foi buscar a cor do seu mundo. Ela foi acolher aquele sorriso e foi perceber o convite ao silêncio em meio a um abraço. O coração bateu forte. O coração ardeu.
Muito provavelmente ela tenha esperado uma vida inteira por isso e sem dúvida alguma estava certa do que queria. Não foram mil anos, mas foi tudo aquilo o que ela tinha, e a pequena menina não pode deixar algo assim escorrer por suas mãos, mantidas, assim como a sua mente, atônitas o tempo todo, somente vendo tudo passar porque aquela era a lei maior de sua vida, há alguns meses atrás. A verdade é que tudo passa, é claro, porém somente se deixarmos passar. 
Vamos olhar para cima. Talvez a resposta esteja em olhar para as estrelas. O que será que as estrelas mais velhas carregam para chegar onde chegaram e para estar tão longe quanto estão? O que será que aqueles olhos carregam agora? A verdade é que a menina encontrou a sua estrela e foi ela quem lhe ensinou que devemos sempre olhar para cima. Por fim, ela entendeu que a diferença é um aprendizado e que todos precisam navegar um pouco para encontrar o seu porto seguro.
E nos seus olhos eu aprendi que as estrelas também queimam e algumas até caem. Ainda assim, sempre estaremos olhando para cima, porque a gente sabe que vale a pena.

Não quero ser alguém que vai embora facilmente. Estou aqui para ficar e fazer a diferença que eu puder fazer. Jamais ousarei olhar para baixo novamente, eu te prometo.

sexta-feira, fevereiro 05, 2016

Noite

Imagem para a postagem "Noite" no blog Amor e Oxigênio

Porque nossos corações tem um ritmo parecido. Porque o vento morno anunciando a tempestade me lembra do calor das suas mãos. Porque a chuva acaricia a pele. Porque o vento anuncia a chegada do frio e o frio me faz sentir vontade de estar ainda mais perto.

A menina perdeu o sono e desistiu de tentar encontrá-lo novamente. As vezes acontece algo e, então, acabamos por nos situarmos parados, em um estado de quase meditação. Isolação interna, talvez. Os pensamentos voam e se perdem em questões de segundos. É, as vezes devemos ficar quietos e encarar o mundo com os olhos de um adulto e deixar a criança brincar em seu quarto. As vezes devemos tomar conta de nossas palavras que vagam soltas por aí, já que provavelmente alguém irá encontrá-las e nem sempre elas serão serenas como os olhos de uma criança sonolenta.
Talvez os sentimentos dos sonhos sejam diferentes dos sentimentos vividos. Talvez os sentimentos vividos nem sempre são aqueles que falamos de um modo desconexo e por impulso. Talvez o medo se mostre maior que todo o resto e, ainda que não devesse, talvez tenhamos muito por dizer e a voz acabe por falhar.
E, no fim, o dia acaba e poderemos rir novamente. Poderemos andar na beira do mar e admirar a imensidão. E eu, enfim, poderei dizer que os teus olhos são o infinito mais bonito que eu já vi.

terça-feira, janeiro 26, 2016

Essas grandes alturas


Imagem para a postagem "Essas grandes alturas" do blog Amor e Oxigênio
E aquele brilho está de volta, agora nós conseguimos sentir isso. O silêncio ecoa nos nossos corações e a cada batida a dor se vai. Estamos de volta, mantenha a sua mão com a minha, rodaremos mais uma volta com o mundo. Sente ao meu lado, veja o trem passar, sinta o sopro dele nos seus cabelos. Ah, sinta cada gota da chuva que chegou para mostrar as possibilidades que ganhamos ao refazer os bons momentos.
Esteja comigo por quanto tempo achar que pode, ainda que eu insista em não partir jamais, ainda que eu continue entregue ao seu abraço. Ouça as cordas desafinadas daquele violão velho e empoeirado. Teremos décadas para tomar um café e rir dos trocadilhos da vida. Os violinos tocarão aquela minha música favorita e nós entraremos no ritmo deles.
Num outro dia qualquer, nós observaremos o nascer do sol e leremos um livro juntos. Ache meus olhos e olhe no fundo deles, estarei aqui por um século. Estarei por um século ao seu lado. Faça um pedido, plante uma árvore e escreva os nossos nomes no tronco dela. Sinta a brisa suave daquela manhã tão cinza que já não incomoda mais.
 É muito importante, agora. A forma como eu não quero perder nada, o desejo que eu tenho de nunca acordar, o meu comportamento, por vezes, pouco sutil, a maneira como eu espero o "para sempre", a necessidade de um milhão de anos, a segurança daquele abraço, a minha certeza em confiar. É imprescindível, é maior que todas as ondas e todos os focos de luz que dariam esperança no final do breu. Eu preciso aprender a expressar o quanto isso faz diferença em todo o resto. O quanto eu sinto que estou em um só caminho e o quanto quero que ele seja seguro.
Jogue um jogo comigo, me lembre de como o céu é azul. Me encontre no final da rua, apenas corra comigo e me deixe fazer da vida um sonho real. E no final, lembre-se do início. Aguardei aquele brilho da mesma forma como aguardamos ansiosos pelo momento em que veremos as estrelas cadentes no céu. Aguardei incessantemente e sabia que, quando encontrasse, seria como encontrar um tesouro escondido.

domingo, janeiro 17, 2016

Horizonte

Imagem para a postagem "Horizonte" no blog Amor e Oxigênio

Naquele dia estava chovendo e ela não queria sair, porém já havia se ausentado na manhã anterior. Naquele dia as poças d'água refletiam a os galhos das árvores recém apresentadas à primavera. Naquele dia os guarda chuvas pareciam dançar. Naquele dia as pessoas dançavam e eles, que não dançavam, entraram na brincadeira também. E toda a brincadeira, até onde se ouve falar, tem um profundo apego nas nossas verdades.
As vezes uma manhã chuvosa não significa um dia triste. Aliás, um caminho escuro, com tropeços e derrotas é vivenciado por todos nós, pelo menos uma vez na vida e sempre de maneiras diferentes porque, claro, somos diferentes. Muitas vezes, numa manhã chuvosa, tomamos o melhor café do mundo, que pode ser o café da cafeteria mais famosa da região e também pode ser aquele que você ou alguém que você gosta preparou. Muitas vezes, numa manhã chuvosa, nos unimos com vários outros passantes desconhecidos entre os beirais da cidade. As vezes um desses passantes pode deixar de ser somente mais um desconhecido.
 E todo mundo deve ter o direito de tentar algo novo. Todos devem, ao menos uma vez, se sujeitar a algo inesperado, visto que esse inesperado pode ser bom. E as pessoas devem se harmonizar com aquelas que lhes fazem bem e devem, por óbvio, cultivar o que, igualmente, lhes trazer a paz.
Quem sabe, é assim que acontece o início dos melhores finais felizes. Quem sabe, assim virão as nossas grandes memórias, que um dia se tornarão infinitas.

Todas as pessoas solitárias
A que lugar todas elas pertencem?
(Beatles)

quinta-feira, janeiro 14, 2016

Valeu

Imagem para a postagem "Valeu" no blog Amor e Oxigênio

E no fim o vento leva. Leva devagarinho, como as folhas de outono são arrastadas pela calçada, como as pessoas se esquecem das melhores memórias. E não é tão diferente de tentar retomar o que éramos antes.
Acontece que não estamos preparados para reconhecer o quão bom ou ruim algo pode ser. Não estamos sempre prontos para um novo dia repleto de novidades e atenção redobrada aos mais novos conhecidos. Nós nunca saberemos onde se inicia o afeto, a amizade, o amor. Nós nunca saberemos onde isso acaba ou quando e exatamente por quais razões acaba.
Nós não estaremos prontos nunca, mas os novos ventos sempre irão soprar. Não teremos, de fato, entendimento sobre todas as coisas e sobre os motivos de estarmos onde estamos, mas é certo que caminhamos para algum lugar além do fim incessante e incurável. Aliás, precisamos da certeza de quem somos quando estamos sem rédeas e sem leis. Precisamos da confiança nos nossos instintos e na veracidade daquilo que achamos ser e ter nos tornado durante tanto tempo.
E o sol brilha de novo no fundo dos olhos dela. Brilha como se brilhassem pela primeira vez e reflete o silêncio mais puro e genuíno que ela pôde encontrar. É, não se tem certeza, mas quem nos obriga a ter? A calma nos guia agora, e ela é melhor que o desespero, a pena e a comoção. Calma. Viveremos tudo o que quisermos viver, mas por razões que não se explicam de antemão, a serenidade e o equilíbrio nos darão a dose certa para cada cruzar de olhares. Existe uma árvore gigante, mas ela recém brotou.
Estou convicta dos meus medos, mas não do afeto que ainda restou. Tenho consciência de que sinto falta da imensidão de todo aquele apreço de outrora, mas não espero um retorno. Estou convencida da minha incorruptível ânsia por muito mais, em caminhos novos. Vou fechar um novo ciclo, e sei que no fim ficarei em paz. Não podemos nos esquecer que sim, tudo vale a pena. Porque todo o coração é burro, mas o meu é mais.

 E a chuva parou.

quarta-feira, janeiro 13, 2016

Zero

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E a menina voltou a aparecer. Voltou porque algo a chamou aqui. 
O dia amanheceu calmo, a rede balançava, os pássaros voavam de seus ninhos em busca de comida e, lentamente, a pequena menina despertava. Ela abriu os olhos, estes, por sua vez, claros como a luz que vinha da janela. O vento a chamava para longe. Ela se aprontou e saiu.
As pessoas, naquela imensidão espantosa, não estavam dispostas a conversar e nem mesmo a cumprimentar a menina e os outros passantes. A verdade é que todos viviam em mundo privado e egoísta onde se achavam portadores da melhor personalidade e do melhor talento além de, claro, serem o próprio sol desse mundo imaginário. A pequena continuou a andar, insistindo a atravessar vielas e a pular por cima das poças enlameadas daquele chão irregular.
Sem perceber, ela acabou perfurando a bolha na qual vivia e, inimaginavelmente, a felicidade se estampou em seu olhar. Desde quando se sentia a vontade para cruzar a avenida de cabeça erguida? Desde quando ela começou a ter essa ânsia por espalhar vozes, e gostos, e sentimentos por aí? Sim, a menina já não era a mesma e não sabia explicar quando foi que os novos ares chegaram.
Finalmente a pequena observou que não haviam mais lágrimas para serem derramadas, pois já não havia motivo para tanto. Olhando para frente e acabando com a irrealidade dos fatos, ela pôde entender que não se pode controlar uma vida inteira e nem mesmo passar panos quentes nas palavras que desejamos nunca termos pronunciado. Ela descobriu que ainda tinha um coração e não precisou olhar nos olhos de ninguém para constatar esse feito. Descobriu também o quão nobre um sentimento pode ser. Entendeu que não existem coisas que tramem a favor ou contra o que sentimos. Tudo o que sentimos nos domina e lentamente passa a existir, com a mesma eficácia de um pássaro que constrói seu ninho para se abrigar do inverno próximo.
Os sentimentos pulsam e simplesmente não precisamos de um líder, de influência, de talento. Tudo o que precisamos é de coragem para admitir que temos conosco algo de tamanha intensidade.
O tempo que algo assim dura? Uma vida. Uma vida bem vivida.
Zero sim. Começamos outra vez, assim como um dia novo começa a cada amanhecer.