O peregrino busca a Sabedoria


Com a cabeça cheia, a menina continua a andar e a procurar em cada esquina o brilho que lhe parece faltar aos olhos. O vento cortante bate em suas têmporas, o gosto amargo do café segue em sua língua e algumas vezes as lágrimas não hesitam em cair e a lembrar das águas nas quais ela insiste em não mergulhar totalmente. 

O que há lá fora, afinal? O que existe lá fora e que tantos procuram e, quando enfim encontram, seguem a espalhar a novidade, porém esquecem de buscar a devida compreensão? Onde estão essas águas e quando é o momento certo para mergulhar e abandonar quaisquer lembranças de amargura e rancor que restaram de uma vida sem esperança? 

Os dias passam devagar e ela parece pouco entender sobre o que realmente é importante, ainda que siga em sua busca. Os passos parecem cada vez mais apressados, as músicas não tocam como antes e as palavras parecem presas antes mesmo de transformarem-se de pensamentos a expressões verbais. As vezes realmente parece que ela se encontra sozinha em meio a uma multidão de gente e infelizmente muitas vezes isso parte da própria menina que se vê competindo com pessoas tão pequenas como ela, como se todos ali fossem grandes. Quão grande eles são? Comparado a que? A quem?

Quantos absurdos contamos a nós mesmos, quantos absurdos a menina contou a si mesma, por tanto tempo, como se fossem verdades imutáveis. Ela, que tanto ama amar, que tanto ama o infinito, que tanto ama pensar que existem sentimentos e forças eternas, nunca entendeu realmente o eterno, quanto menos entendeu o valor daquilo tudo que é efêmero e não deu importância justamente por ser efêmero. 

A menina seguirá seu percurso, como um viajante ou um peregrino, que conhece lugares e pessoas cada vez mais diferentes e mais instigantes aos seus olhos e à sua mente. As vezes ela se reconhecerá e muitas vezes ela aprenderá. 

Efêmero não significa descartável. 
É o infinito eterno e esse eterno é imutável?
 

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