domingo, dezembro 27, 2015

E para o tempo parar

Imagem para a postagem "E para o tempo parar" do blog Amor e Oxigênio

No final a gente acaba percebendo como o tempo, incansavelmente, passa. A gente percebe, assim de repente, como a gente muda com o tempo também.
Estive lendo as postagens do primeiro Amor e Oxigênio, escrito originalmente por mim entre 2012 e 2013, ainda com a terminação .blogspot e com um dos tantos layouts básicos que o Blogger oferece aos blogueiros iniciantes. Lembro também do plano de fundo que eu usava, bege com bolinhas vermelhas! Ah, e lembro que o menu do blog tinha os cantos arredondados e a primeira postagem era o meu "Quem sou eu" do Orkut. Uau! E aquele era, sem duvida alguma, o melhor blog do mundo no meu ponto de vista.
Sim, isso tudo já passou. E é claro que o tempo irá continuar passando e quem sabe daqui há outros dois ou três anos eu também ache o atual design do blog e as coisas que eu escrevo nele uma completa aberração. Quem sabe eu também decida, por descuido ou desconformidade, excluir o atual blog e salvar as suas postagens em um outro arquivo do Word, assim como eu fiz com a primeira versão dele e no futuro ler tudo e não entender como pude postar aquilo.
A rotina também muda e os amigos muitas vezes também se vão, não por descuido ou desconformidade, mas provavelmente por orgulho ou hostilidade. Conforme a vida vai se alterando, os sentimentos e tudo aquilo que gostamos ou não também se modifica, gerando, por consequência, novas histórias e novos textos. E o que fica no desfecho de nossas histórias é a saudade. Essa não se vai.
É, a vida passa até mesmo para nós. Ainda temos tempo para errar e aprender. Para errar e tentar consertar. Para errar e esquecer que erramos. 2016 será o início de mais cinco anos repletos de novas metas e novos sonhos que nos esperam para ser sonhados. Por fim posso dizer que fiquei contente com tudo o que descobri e com tudo o que melhorei nos cinco anteriores.

O que aprendemos, fica.
O que sentimos, prevalece sempre.

sábado, dezembro 19, 2015

A paz

Imagem para a postagem "A paz" no blog Amor e Oxigênio

Não me pergunte para onde eu vou depois disso tudo porque, meu bem, agora os nossos planos são reais. A gente aprendeu a abrir os olhos e vimos que os campos de morangos existem. Eu segui, eu aprendi a buscar o meu objetivo sem demonstrar onde, realmente, eu buscava chegar. Todos os anos, em todos os momentos, eles disseram que nos conheciam, disseram saber quais são as nossas cores favoritas, disseram entender o nosso modo de falar e ousaram adivinhar até mesmo o que nós iríamos nos tornar. Parabéns, nós os surpreendemos.
Vá em diante, prossiga com ou sem mim. Vá em diante e conquiste o seu mundo, continue mostrando que você não foi somente mais uma vítima e nunca, nunca mesmo, ache que as coisas que você fez e conquistou não significam nada. Querido, tudo o que nós somos está refletido no caminho que tomamos, assim sendo, nos nossos atos, sejam eles pretenciosos ou não.
Porque você sempre quis saber, agora você sabe. Você queria saber escrever para contar aos outros sobre como você se sentia. Da mesma forma, você quis ler para entender o pensamento do próximo. Demos um passo à frente, aprendemos um pouco das mais variadas formas de se calcular algo, afim de que calculássemos a força do mundo e até onde nós poderíamos caminhar. Em seguida, aprendemos também a origem daquilo que conhecemos, desde como evoluímos e aprendemos a pensar, até como funcionam os sistemas existentes dentro do nosso corpo. Por fim, aprendemos a sonhar sozinhos um sonho que a gente não sabia que podia sonhar. Olha a chuva passando, era disso que eu sempre falava! Você e eu. Nós mostramos que o fim as vezes é bom e que, as vezes, o fim é só o início de muitos outros começos. Viva a vida, viva ao que aprendemos, viva ao que sonhamos, viva àquilo que iremos nos tornar! Porque o céu é azul, porque o amor é velho e paciente e porque os pássaros voam e a gente aprendeu que os nossos olhos não foram feitos pra chorar. Viva!
Não me pergunte sobre o meu amor. Ele voou, livre como deve ser. E pintou a sua face de azul.  

sábado, novembro 28, 2015

Aventurar

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A vida é curta pra ver o tempo passar. A vida é curta para nós nos acordarmos de mãos dadas. A vida é curta para dar um passo pra trás e, provavelmente, essas coisas não tem explicação nenhuma e, muito menos, a exigem.
Vamos pensar: Essas coisas acontecem porque a gente não sabe mais rir dos nossos pequenos escândalos, amar as nossas próprias canções e sentir falta do que ficou pra trás. Meu bem, como será sem o vento e sem o clarão da lua? Como vai ser quando não nos encontrarmos mais, e quando nos abandonarmos, e quando nos esquecermos? Como pode alguém prever, não é mesmo? Nós podemos ouvir o vento passar, mas não podemos calcular, de poucos em poucos, o que ele levou daquilo que éramos. Meu bem, escrever pode ser querer esquecer?
Um século, um mês.. Veremos, depois de muito tempo, fotos nossas e das nossas vidas novas. Eu penso que, quando tais coisas ocorrerem, não nos reconheceremos mais, já que não podemos parar para o tempo. Talvez nos seus olhos ainda exista a tempestade da qual eu quero me encharcar, talvez nos seus olhos das novas fotos ainda existam as coisas que os sonhos não nos deixam apagar. Isso tudo porque a gente tentou e todos viram como a gente tentou. Renasceríamos em novas fotos repassadas por amigos em comum e, quem sabe, lembraríamos do que fomos, ou então torceríamos para que, no mínimo um dos dois, sorrisse em paz.
Enfim, dessas coisas somente a gente que sabe e, se um dia quisermos duvidar, ninguém vai dizer que já é tarde demais. Essas coisas não tem fim e, certamente, encontraríamos um jeito de ir aonde o vento vai.


Do nosso amor, a gente é que sabe. 

quinta-feira, outubro 29, 2015

Boa sorte

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Aquele teu olhar de felicidade me comoveu, sabia? Ta na cara, viu? Não escondas mais, não. Não escondas, até porque isso faz mal e, se eu pudesse, até te ajudaria. Por outro lado, é certo que eu deveria rir e deixar tu te frustrares sozinho, porque eu já senti na pele como essas coisas são. É como se a gente tivesse algo tão grande pra falar pra alguém que, se não conseguíssemos falar, explodiria dentro da gente e doeria muito, pesaria muito... Isso não se explica.
Eu sei o quanto é sentir, e tu sabes que eu sei. Sei também que se isso não der certo, vai acabar se afundando na poeira do tempo, mas não vai passar assim de repente como todo mundo diz. Infelizmente, não somos aquela porcentagem feliz da humanidade que troca a roupa e o amor entre o mesmo espaço de tempo e, inquestionavelmente, dói tentar esperar. E o que nos resta dessa conta da vida? Esperar passar ou então fazer de tudo pra que as coisas se ajeitem conforme desejamos.
Por fim, meu caro, eu percebo que ainda te recordas minimamente do que ficou na nossa poeira do tempo particular, ainda que os olhares cor de tempestade não sejam direcionados a isso e, de coração, espero que tudo dê certo por aí.
Além de tudo, espero que não cries um muro dentro de ti, pois aquele lá de Berlim já causou dor suficiente a gente demais e a gente que não precisava sofrer. Olha, eu me comovi com a tua história.. Eu me identifiquei nela, contudo, do lado de cá, acabou.  Ou vai ver, afundou. Boa sorte, mesmo.

Eu rabisco o sol, e a chuva parou...

sábado, outubro 10, 2015

Realinhando

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A chuva ainda era abundante lá fora. Os pássaros, por consequência, fugiram em direção aos seus ninhos. Os cães abandonados se abrigaram nas marquises, as pessoas abriram seus guarda chuvas e começaram a andar mais rápido, num ritmo desajeitado que, por vezes, se tornava cômico. 
A menina não estava na chuva, mas assistia a tudo entusiasmadamente. Tudo lá fora era novo aos olhos dela e tudo aquilo contrastava com o som da sua gaita de boca.
"You are my sunshine, my only sunshine...", e nem o novo lugar a fez esquecer dos velhos tempos. Sua consciência não estava mais ferida, quanto menos seu olhar havia permanecido cabisbaixo. É certo que nem ela mesma conseguia acreditar em todas as mudanças ocorridas no último mês, ainda mais naqueles momentos em que a gente para tudo e respira fundo. Nesses, a menina deixou de desabar, ainda que pensasse angustiadamente em como seria dividir aquilo com mais pessoas, mais faces torcedoras e amigáveis, quem sabe. 
Sim, ela estava surpreendida por não estar mais na chuva e por, finalmente, fazer parte da tal normalidade que ela sempre buscou se encaixar. Não há explicação, agora a menina está livre. Seus passos voam, sua roupa e seu cabelo balançam com o vento e seu sorriso, enfim, deixou de ser forçado. 
Os caminhos estão se realinhando e ela vai esperar a chuva passar. Quando a chuva passar, a menina irá lá fora e procurará o dono dos olhos cor de tempestade. Lhe contará sobre as pétalas das novas flores, lhe explicará sobre a origem dos sorrisos eufóricos e exprimirá o que esteve guardado com ela durante todo o inverno. 

A chuva passa, os sonhos ficam e se realizam.
Falávamos de amizade e cumplicidade e, dessa forma, a vida continua. 

segunda-feira, setembro 07, 2015

Faça a coisa certa

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De fato, ela nunca pensou que estaria onde está agora. Ela nunca imaginou que vivenciaria certas coisas ou que abandonaria outras almejando o que ainda é incerto. Mas é claro que ainda é cedo pra se dizer que ela perdeu, porém se já fosse tarde, ela continuaria dizendo que é cedo, muito cedo.

Dentre todos os passantes daquela rua agitada e multicolorida, você é o estranho que mais me faz falta em dias como esses. Você é o estranho que eu sinto vontade de abraçar, você é o estranho para qual eu estenderia a mão, você é o estranho que eu sei até onde mora, você é o estranho que mais me afeta e dentre todos os estranhos, você é aquele que mais me conheceu.
Em dias como esses em que a chuva parece não cessar, as luzes dos carros se tornam desfocadas, os passos se tornam desregulados e aflitos e os para-brisas parecem cegar, a sua lembrança se faz um pouco mais presente que habitualmente faz. O fato é que dias assim contribuem para a tristeza e o saudosismo nosso e dos outros também, assim como muitas vezes temos em mente alguém que na realidade só existe dentro de nós mesmos.
Posso estar errada e ter em mim uma confusão de ideias sórdidas e inversas sobre quem você é de verdade, porém o mais correto é seguir em frente e deixar a chuva passar. Você é o meu mais novo desconhecido, ainda que eu não possa desconhecer alguém depois de tê-lo mantido permanentemente em meu pensamento.

quarta-feira, agosto 26, 2015

Wish you were here

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Boa tarde galera bonita! Hoje estou aqui para falar um pouquinho sobre a minha música favorita, como música de abertura para a primeira postagem nova do blog Amor e Oxigênio com layout e plataforma novos.
Enfim, a referida música chama-se Wish You Were Here, da banda britânica de Rock Progressivo Pink Floyd. {amo eles}
A banda se formou em Londres no ano de 1965, com  Roger Waters, Nick Mason, Richard Wright e Syd Barrett como integrantes da sua formação original.
A música Wish You Were Here pertence ao nono álbum do Pink Floyd, cujo nome também é Wish You Were Here, o que ainda causa muito estranhamento às pessoas que não são fãs do grupo, apesar do álbum ter vendido mais de 13 milhões de cópias ao redor do mundo.

Finalmente, vamos ao vídeo da música:



Agora vamos para a letra traduzida:

Queria que Você Estivesse Aqui

Então, então você acha que consegue distinguir
O paraíso do inferno?
Céus azuis da dor?
Você consegue distinguir um campo esverdeado
De um trilho de aço gelado?
Um sorriso de uma máscara?
Você acha que consegue distinguir?

Eles fizeram você trocar
Os seus heróis por fantasmas?
Cinzas quentes por árvores?
O ar quente por uma brisa fria?
O conforto do frio por mudanças?
Você trocou
Um papel de figurante na guerra
Por um papel principal numa cela?

Como eu queria
Como eu queria que você estivesse aqui
Nós somos apenas duas almas perdidas
Nadando num aquário
Ano após ano
Correndo sobre o mesmo velho chão
O que nós encontramos?
Os mesmos velhos medos
Eu queria que você estivesse aqui

A letra da música foi feita em lembrança de Syd Barrett, que era um dos fundadores do Pink Floyd e se afastou dela em decorrência das drogas.

segunda-feira, agosto 17, 2015

Fita adesiva no fim

Imagem para a postagem "Fita adesiva no fim" do blog Amor e Oxigênio

Daqui a um bom tempo, nós estaremos realmente bem. Eu contarei histórias, você as vivenciará. Nós viajaremos para onde quisermos, nós conquistaremos os lugares que conhecermos e as pessoas que nos conhecerem nos conquistarão. Seremos nós mesmos, ainda que individuais e solitários. Seremos quem somos por opção e não por obrigação. No fim, não teremos a certeza de que fizemos a coisa certa, mas estaremos conscientes do que fizemos para acabarmos aonde acabaremos.
Os próximos invernos não serão tão frios, ainda que nos façam ter a incrível ânsia por um abraço mais forte, por um beijo, que quem sabe lá, tenham outras pretensões. As manhãs, meu querido, serão adoráveis, ainda que sem o seu olhar, como hoje, olhando no fundo do meu. O café, que antes era fraco e insuficiente para o nosso despertar, amanhã será na medida certa para me reavivar a mente enquanto eu me dirigir, desacompanhada, para algum lugar indeterminado da minha nova rotina. À noite entrarei um pub qualquer e afogarei o meu passado no riso com as novas pessoas que outrora conheci. Sim, o caminho estará involuntariamente correto, mesmo que não enteja tão aprazível assim. Afinal, não será uma tortura viver nesses novos dias, ainda que eu prefira ter trinta minutos exclusos da minha vida para lembrar de como ela era quando eu confiava em alguém.
Sim, acabei descobrindo, pulando de piores em piores maneiras, que nunca estarei correta sobre tudo. Também tenho admitido a mim mesma que gosto de ficar sozinha, porém ninguém gosta de estar sozinho e sim, você também sabe disso.
E esta etapa está no fim, eu irei lhe mostrar que sim. Agora, mais do que nunca, está realmente e sinceramente no fim.

segunda-feira, agosto 10, 2015

Somos todos árvores

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Nós somos todos árvores.
Nascemos de sementes, viramos broto, crescemos em meio ao caos do dia a dia e o tumulto das grandes cidades. Aliás, muitos nem ao menos percebem que estamos aqui. Nossas raízes, que se fincam nos piores lugares possíveis, ainda assim são capazes de sobreviver.
Um dia a gente floresce e a árvore também. Isso pode ser belo, porém ao mesmo tempo podemos ser alvos fáceis para alguém que necessite do que temos de melhor a oferecer para tirar benefício próprio.
Muitas árvores nascem com a possibilidade de darem frutos. Quando isso acontece, nem sempre ele se parece com a árvore, nem sempre as sementes desses frutos virarão frutos novamente e em muitas vezes os frutos crescem longe da sua “árvore mãe”, por assim dizer. As vezes os frutos não estavam presentes na árvore, as vezes as sementes são ignoradas.
Aliás, todos aqui morrem. Existem várias formas de se morrer, seja ela com uma foice, com um machado, com a velhice e a exaustão que o tempo causa ou até mesmo com alguma doença, uma virose ou quem sabe lá até com um amor que resolveu não acabar.
E no fim, meus caros, nós todos, sendo árvores ou não, gostaríamos de nos perder no meio de um abraço. E é isso que se espera, ou que se sonha.

segunda-feira, agosto 03, 2015

Brilhe, diamante louco!

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E agora não há nada que a menina ainda possa tentar esclarecer, pois acabou. As manifestações de afeto, as palavras ditas em alto e bom tom, o esmalte vermelho, as preces, a crença, o sonho. Acabou.
Aqueles dias estavam diferentes dos demais. A manhã estava morta e nada era entendido. As bocas se fecharam e os sorrisos desapareceram. Os olhares sumiram e as lágrimas cessaram.
Era como se não existisse mais os dois lados da moeda e nem mesmo o meio termo entre tudo o que a menina estava fazendo. Era como se o vento tivesse se estagnado, juntamente com a ordem natural das coisas e com o crescimento físico e mental de cada indivíduo que ela conhecia. Era como se antes existisse algo como uma estrela guia e, drasticamente, ela se apagou.
Agora, consequentemente, a pequena menina seguirá o seu caminho sem rumo, as suas vontades incertas, o seu deserto sem miragens e sem abrigo e a sua vontade de escolher entre as mais diversas alternativas que já não existem mais. Amanhã será diferente.. Será, pois com o tempo os objetos ficam velhos e quebrados, os automóveis estragam, os imóveis perdem o seu valor e a cidade muda. As pessoas, sendo isso bom ou ruim, mudam também.
Vamos fugir, vamos brincar perto da usina.. E nada mais existe, nem nós, nem eles, nem a meta, nem o acaso, nem a vontade, nem o querer, nem o mistério, muito menos o amor.

"Ninguém sabe o quão perto ou longe você está, brilhe diamante louco!"
(Shine on you crazy diamond - Pink Floyd)

segunda-feira, julho 27, 2015

Miragem

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Sabe, existem momentos aos quais a gente gostaria de poder fazer parte. Ultimamente venho falando muito sobre momentos e coisas pequenas que nós gostaríamos de termos feito. Acontece que, tenho chegado à conclusão de que vim perdendo cada um desses curtos espaços de vida. Venho perdendo a cada dia um pouco mais daquilo que, antigamente, considerávamos como parte insubstituível de nossas vidas.
O sol ousou aparecer nesse dia nublado, as músicas tornaram-se, nesse exato instante, um pouco mais agradáveis.. E o temor é o mesmo. As pessoas cumprem a sua rotina, os carros são dirigidos para os mesmos lugares, as árvores balançam na mesma direção, as persianas batem num mesmo tom. Nada mudou externamente, embora a mudança real ainda esteja acontecendo dentro de cada pessoa, na medida e velocidades certas em que isso tudo deveria ocorrer. Um dia, meus caros, com certeza iremos nos surpreender.
E ela terá aprendido. Terá se modificado, se refeito. As coisas terão mais graça, as piadas vão estimular o humor e não a ironia diante de mais um escândalo governamental. As pessoas pararão de andar com medo de tudo e seguirão o seu caminho olhando para frente e não para baixo e disfarçando enquanto pegam o celular ou remexem as coisas na bolsa a procura de nada, simplesmente para não precisar olhar para os que estão no mesmo caminho que elas. O café estará pronto na hora certa na mercearia da esquina, todos estarão agasalhados para o frio do inverno e o verão não será tão brando quanto foi nos últimos anos.
Consequentemente, nesse futuro, que talvez seja próximo, o amor não será mais breve, as paixões não serão mornas, os olhares não serão tão vagos e nem tão distantes como foram em outrora. E assim, por fim, nós acabaremos bem.

segunda-feira, julho 20, 2015

Minhas condolências

Imagem para a postagem "Minhas condolências" no blog Amor e Oxigênio

É, talvez tenha chegado o momento.
Algumas vezes, somente algumas vezes em nossa vida, nós temos a chance de retomar algo, mesmo após o caos, mesmo após tudo o que dissemos, mesmo depois de todas as atitudes tomadas e todos os atos falhos que até o presente momento não foram perdoados por puro e horrorosamente pragmático orgulho de fera ferida.
Somente algumas poucas vezes na vida nós encontramos alguém em quem achamos poder confiar cegamente, somente algumas vezes coisas inimagináveis são capazes de nos acontecer e, geralmente, acontece quando estamos ao lado das pessoas que amamos. É, certas coisas não devem ser deixadas para trás, de maneira nenhuma, nunca.
Talvez não tenhamos nos dado conta, mas em nenhum momento procuraremos pela pessoa perfeita e, talvez, se achássemos a tal referida, não gostássemos dela. Procuramos pessoas com defeitos, pessoas de carne e osso, pessoas que erram de uma forma aparentemente imperdoável, pessoas que negam sentimentos, que negam favores, negam laços e quem sabe lá pessoas que até se destroem aos poucos sem que percebam a si mesmas. Procuramos pessoas de verdade, que tenham dúvidas quanto o que fazer da vida, quanto dinheiro guardar no banco, quanto gastar, onde trabalhar ou estudar, com qual grupo andar, quais roupas vestir de manhã cedo. Procuramos pessoas que tenham medo da vida, medo da morte, medo de interagir, de falar com outras pessoas.. Procuramos por aqueles que tenham medo de escrever, medo de se mostrar ao mundo, medo de sentir, medo de errar, medo de amar. Procuramos imperfeições que se adequem as nossas. Procuramos insaciavelmente por pessoas que errem, e que errem muito! Porém que tomem coragem para voltar, que tenham muito medo, mas que perdoem e peçam perdão. Procuramos alguém que ame, e que nos deixe amar.
Não vale a pena tentar esquecer de algo que nasce conosco, nem mesmo deixar tudo passar. Acontece, meus caros, que certas coisas não passam com o tempo e talvez nem mesmo com a morte. Certas coisas foram feitas para permanecer intactas a toda e qualquer turbulência. Indiscutivelmente, o tempo pode dar um lugar certo a essas coisas e mostrar de que forma mantê-las, mas em hipótese nenhuma apagá-las.
Nem sempre que amamos alguém, seremos um casal, moraremos juntos e teremos filhos. As vezes amamos um amigo como se fosse um irmão e consideramos como parte de nossa família, as vezes amamos e fingimos que não, as vezes amamos e nos vemos uma ou outra vez, mas o que sentimos permanece igual.
Meu querido, não importa o que você faça. Mais um ciclo se cumpriu e eu gostaria de poder olhar no fundo dos teus olhos nesse dia e lhe dizer que agora está tudo bem.
Somos apenas um ponto azul no meio do nada e no nosso nada, nós podemos tudo.

segunda-feira, julho 13, 2015

Seremos nosso próprio orgulho

Imagem para a postagem "Seremos nosso próprio orgulho" no blog Amor e Oxigênio

Aprendi que borboletas mortas não nos servem para nada a não ser para enfeite hippie chic de quadro. Aprendi que um sol escondido pelas nuvens não podem nos iluminar e vi também que fotos velhas guardadas como lembrança não nos trazem os bons momentos de volta. Acima de tudo, enxerquei que nada durará para sempre. Nem os sorrisos, muito menos as lágrimas. Nem a água que desce estonteante do céu, muito menos o calor bom que o sol nos trás nas onze horas de um dia de inverno. Aprendi que tentar manter alguém ao nosso lado somente por nossa vontade e não pela vontade de quem queremos conosco não é o bastante. Entendi, sob todas as coisas, que as estrelas também morrem, que lágrimas também passam, que dias novos também chegam.
Sinto o vento lá fora, observo os pequenos arbustos e a grama seca em que ponho os meus pés. Escuto, ao longe, o som de um pássaro perdido do seu bando. As vezes me sinto como ele, perdida do resto do mundo, isolada, andando por um outro caminho, pelo lado contrário. Talvez o lado contrário seja o melhor lado para mim, ou ao menos seja o lado ao qual melhor me encaixo. Um novo ano vem, carregado de novas chances de mudarmos a nós mesmos e também de mudarmos, de alguma forma, o mundo no qual vivemos. Mas, e será que não temos uma nova chance toda a manhã, no momento em que abrimos os nossos olhos?

segunda-feira, julho 06, 2015

Dorme em paz

Imagem para a postagem "Dorme em paz" no blog Amor e Oxigênio

Não chegamos a um consenso. Não estamos no fim da jornada.
A menina abriu a janela e avistou o sol escaldante lá fora e, como havia feito durante esse tempo todo em que esteve distante, se colocou para fora de casa e seguiu a sua nova rotina. Sim, tudo permanecia igual, mas a percepção sob todas essas coisas havia se modificado. Era e, ao mesmo tempo, não era mais igual.As flores tinham uma fragrância diferente, as pessoas que andavam rumo à qualquer lugar até então desconhecido tinham olhares que, ao ver da pequena menina, portavam menos mágoa. O café estava fresco novamente, os pássaros emanavam um canto de liberdade, a tão sonhada liberdade. Durante esse tempo todo em que se absteve no mórbido silencio de sua solidão, a menina pôde perceber o quanto o mundo lá fora pode ter mais para lhe oferecer e o quanto ela mesma pode se presentear com a brisa do vento em seus cabelos, enquanto parte sozinha rumo à uma grande viagem. Existem coisas, as tais coisas “impossíveis”, que cabem somente à nós mesmos nos darmos a possibilidade de torná-las possíveis, torná-las realidade e sólidas em nossas vidas. Isso a menina aprendeu também. O futuro, meus caros, é o simples resultado do que fazemos com o nosso presente, mesmo que pareça complicado ou doloroso abandonar um dos lados da moeda. Ela segue, encontra novos motivos para continuar, novos motivos que façam o seu mundo ganhar mais cor. E se entrega, então, com todas as suas forças, para que um dia ela possa dizer que valeu a pena tentar. Valeu a pena acreditar. A menina continua, justamente pela lembrança dos melhores momentos que a fizeram seguir até aqui, até agora. Ela insiste, sem os olhos sonhadores, sem os sorrisos mais belos que ela já viu, e não há forma de substituir, simplesmente porque talvez ela mesma não queira substituir. Talvez ela os queira ali, pra sempre. E a menina já procurou alguma forma de encontrar as mesmas estrelas em outro céu, porém é mais forte que ela mesma e é mais forte que essa pobre definição do amor na qual ela acredita.
Se fosse só sentir saudade, mas tem sempre algo mais.

sábado, julho 04, 2015

Novamente

Imagem para a postagem "Novamente" no blog Amor e Oxigênio

Era um novo dia. De novo. A menina acordou e decidiu que não tentaria fazer tudo diferente e nem tentaria voltar atrás, somente viveria.. E talvez aproveitaria ao máximo, mas com a honestidade que sempre procurou manter. Os pássaros lá fora cantavam uma suave melodia.. Era como se aquilo fosse o seu tom favorito. A rádio tocou Pink Floyd, o vento tocava e balançava as folhas das árvores e o cabelo dos passantes, inclusive da pequena garota.
Sete da manhã, um café frio em uma térmica de inox e uma chapinha “meia boca” que acabou ficando destruída com a friagem e o clima umedecido. Não parecia ser um dia bom, mas tudo lhe enganava um pouco mais.
A menina percorreu os mesmos lugares e tentou fazer as mesmas coisas, mas sentiu-se mais importante, mais confiante. O suave vento da manhã lhe abraçava com tamanha ternura que nem mesmo o brilho dos seus olhos poderia traduzir. As pessoas, por mais inimaginável que soe essa afirmação, pareciam, sem exceção, estarem mais gentis hoje. E ela continuou.
Entendeu que nem todas as histórias precisam ter o brilho dos contos de fada e que em cada final existe um recomeço e isso é bom, isso é ser humano de verdade! Em cada novo ano, em cada nova vida e em cada nova estrela que vira poeira e cai do céu, existe uma magia própria e única, sem precisão nenhuma do amparo de alguém para que isso ocorra. A menina ainda cresce com o que vê de bom ou ruim por aí. Ela ainda vê o mundo com os olhos de uma criança, mas o interpreta com a sagacidade de uma quase adulta.
Assim os dias passarão, até quando ela decidir parar. Aliás, a menina também aprendeu que o amor, seja como for, deve ser agradável, reconfortante e terno, e algo ao contrário disso não é amor, e sim tortura.
Sim, nós podemos ser tudo o que quisermos ser.
Não se esquece nada, nunca, mas perdoa-se tudo.

Estes são os presentes que guardamos e esta é a manhã. É a que nós respiramos e então vemos que estes momentos são os únicos presentes que precisamos.

sexta-feira, julho 03, 2015

Quase amor

Imagem para a postagem "Quase amor" no blog Amor e Oxigênio

Final de dia, estamos caminhando no meio de uma multidão. Todos passam, nos olham, desconfiam. Segredos? Olhe lá! Olha o sol, veja o brilho nos nossos olhos, perceba a luz no fim do túnel. Ainda estamos aqui, ainda somos capazes.Nada pode nos impedir, nada pode ser maior que isso.. Olhe nos meus olhos, veja como eles brilham quando olham pra você. Vejo o mesmo e sinto o mesmo em você. Nada será maior, nunca.Somos nós, o sol, a luz, o claro e as mais positivas de todas ideias possíveis. Sinta isso como eu senti, acorde e olhe para o lado. Veja que não está mais só. Isso é nobre, é alegre, é melhor que tudo.Que horas são? O que temos pra hoje? O que faremos hoje? Não sabemos, esquecemos do mundo, nos embriagamos com as risadas e os planos da noite anterior… Nos perdemos nas estrelas daquela doce madrugada.. A lua sobre nós, suavemente a nos tocar e a dizer que tudo está bem. Estamos sozinhos. Eu e você, num mundo completamente enebriado de azul. Esqueça que existem promessas, que existem metas, que existem problemas a serem resolvidos. Deixe-se ter a certeza de que o mundo nos pertence agora. Deixe, nem que seja por um momento, nem que for somente para dar a você a certeza que merece ouvir de si mesmo.Eu não consigo voltar atrás, eu não me vejo de outra maneira nesse lugar a não ser ao seu lado. Não sei de onde recomeçar sem esse sorriso que me guia.. Estou perdendo as palavras de minha própria mente e não sei como começar e tão pouco se é exatamente a partir daqui que as coisas devem ser contadas.Porque somos eu, você e todas as pessoas. É quase impossível não se importar com nada, entendo. E eu já não sei o porque de não conseguir tirar os meus olhos de você… Meu anjo, que horas são?!Os sonhos.. As vontades.. Tudo o que você faz é bonito, é certo. Esse certo me atrai, essa magia em comum… Ninguém compreende, ninguém entende como somos tão diferentes de todos e tão parecidos com nós mesmos. E isso faria alguma diferença para alguém além de nós? Isso é bonito, ninguém entende o quanto eu preservo isso. Não precisamos fazer nada, não precisamos provar nada.
Somos eu e você. O mundo, a liberdade. O som dos discos antigos, solos de guitarra, batidas em uma bateria velha, um contrabaixo… O acústico de um violão empoeirado. É o som que busquei a minha vida inteira e encontrei em você. É um jogo bobo, porém gostamos de jogá-lo.
Porque somos eu, você e o resto do mundo.E eu prefiro estar aqui, ao seu lado.

Essa manhã tão cinza

Imagem para a postagem "Essa manhã tão cinza" no blog Amor e Oxigênio

Então a gente acorda de manhã cedo e não sabe que rumo dar à própria vida. A gente pensa em crescer, se transformar, se tornar o que as pessoas, nessa altura da vida, esperam de nós. É como ser um pássaro que nunca saiu do ninho e agora precisa voar, ou melhor, é como ser uma cobra: Assim, rastejante, sem pernas e nem braços, com pouca ou nenhuma forma de locomoção.. Então você é uma cobra, não tem amigos ou conhecidos que lhe queiram ajudar. Você está sozinho pelas próprias condições vitais às quais você foi condicionado. E, contudo, você deve ser. Você deve agir.
E as pessoas cantam, gritam no meio da rua, fazem escândalos. Em grande grupo, no meio do caos, da multidão tudo é belo, tudo pode. E se você estiver sozinho e com uma cabeça vazia? Sim, você quer se divertir! Porém estar sozinho e gritar, diferentemente de estar em um grupo, é estranho. Se somos agitados, somos desvairados, todavia se formos quietos, somos tolos.
Precisamos aprender a admirar as cobras. E os berros. Tudo tem uma razão de ser.

Não me vi na outra metade

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As vezes, no inicio da manhã ou no final do dia, na volta do trabalho, me pego analisando o comportamento das pessoas. Olho discretamente, reparo, analiso com o meu pouco ou nenhum conhecimento sobre o processo inteiro de uma vida e me pergunto se aquilo tudo que elas fazem é bonito ou não. Me pergunto se eu conseguiria “copiar” aquelas tais maneiras de agir. Essa minha análise metódica e contundente sob o modo de se expressar dos outros começou a acontecer a partir do momento em que me vi completamente sozinha, mesmo estando rodeada de olhares curiosos. Foi assim que eu percebi o muito ou pouco afeto de cada uma delas, a educação, o modo como se tratam.. Enfim, talvez não seja educado ou de bom tom reparar, mas faço isso quando vejo uma atitude correta vinda de qualquer pessoa no meio da rua, a fim de, quem sabe, me corrigir, me refazer.
As coisas se tornaram difíceis em um primeiro momento, quando resolvi que estava cansada e ainda na estaca zero. Ao contrário do que dizem as músicas, (por mais que eu goste delas), não temos todo o tempo do mundo e nem podemos dizer que ainda é cedo. Eu disse não pela primeira vez e, também pela primeira vez, não voltei atrás em minhas decisões.
Quem olha de fora pensa que está tudo bem, ou então somente não entende a tal postura dura e a confunde com responsabilidade ou “achismo” intrapessoal. Não digo nada, não olho para os lados, pois tanto faz. A verdade é que guardo mesmo o meu rancor perante as pessoas, porque não estive e nunca estarei rumo à perfeição, achem o que quiserem. Também não sou amiga dos amigos dos meus amigos e nem conquisto as pessoas de imediato. Não falo sempre em bom tom e de vez em quando sinto vergonha do meu “bom dia”. Sei que ninguém entende, mas agora está tudo bem. Sempre, se prejudicar somente a mim e não aos outros, eu considero um bom negócio e é por isso que está bom.
Saudades das coisas que não vivi e dos momentos que acabaram. Vontade de voltar atrás eu não tenho, porque eu não viveria tudo outra vez.. Me recuso. A verdade é que sem você tudo é diferente, até a mágoa aumenta e até a chuva parece mais abundante e sem fim. Quem vai estar aqui quando eu for velhinha? Parece tão ridículo dizer isso.. Nem a metade da meia idade eu tenho.
E de todo o amor que existia, somente restou a vontade de ainda poder conviver em paz. E de tudo que eu amava em você, somente restou a cor dos olhos. Hoje, entretanto, posso dizer que eu estou em paz.

Perdeste a tua intensidade.

É cedo ou tarde demais

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A manhã está calma como todas as outras manhãs daquele mês. Os pássaros voam, as águias gritam, os sinos da igreja tocam. A menina, consequentemente, seguia os seus passos normalmente. Ela não queria mais pensar em nada… Por que, diabos, tudo era tão diferente dentro dela?!
A menina seguia a sua rotina, caminhava do mesmo lado da rua, via as mesmas flores e sentia os mesmos raios do sol tocarem a sua pele. Tudo era tão igual por fora e desejava desesperadamente que nada mudasse dentro dela também, embora soubesse que já era tarde demais. Não é mais igual.
A menina era feliz e não sabia. Viveu os melhores e os piores momentos da sua vida sem perceber. Viu o amor nascer, florescer e agora vê o mesmo morrer a cada dia mais.. Assim mesmo, sem se perceber. Tudo vai junto, tudo se escoou com a água que lavou o seu rosto e os seus pulsos marcados. A pureza voou com o vento. Vento esse que a menina gostaria infinitamente de abraçar.
Será que é no vento que se encontra todo o amor que ela sempre procurou? Será que é numa marquise empoeirada que ela desejava verdadeiramente ver o mundo inteiro pela primeira e última vez? Céus, ela somente queria encontrar a tão almejada felicidade. Somente queria ter a breve e gostosa sensação de estar fazendo a coisa certa. Horrível pensar assim. As vezes, para ela, isso parecia tão sujo e individualista.. Ainda assim, convenhamos que a menina tinha muito amor para destinar, contudo ela estava presa a si mesma e a tudo o que não realizou. Essa é a parte dolorosa.
Naquela manhã, a menina sentiu falta dos sonhos não realizados, mas que mesmo assim eram compartilhados com quem amava. Sentiu falta dos abraços que não deu, das palavras doces que não ouviu. Contudo, nunca deixou de entender que ela não era o centro, quanto menos a dona do mundo e das pessoas que nele vivem.. A falta dói, mas se compreende. O contundente mesmo era a indiferença, o desrespeito, a imoralidade e toda a desconsideração depois de todos os vãos bons momentos. Provavelmente seja esse o fato mais marcante, talvez mais marcante do que o próprio desamor.

"Mesmo após todo esse tempo, eu nunca encontrarei
Neste mundo inteiro, quem possa me balançar como você
A verdade é que é algo tão sublime que não existem palavras capazes de descrever
A beleza da vida que eu tenho com você."
(Perfect For Me, Ron Pope)

Já era tarde, era quase dia

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A noite não estava assim tão fria e nem tão nebulosa. Não havia nada de especial ou de novo por ali, nem mesmo a beleza das folhas de outono, pois já era primavera.
A menina desceu as escadas de seu quarto afim de ler um pouco, já que o sono a abandonara de vez. Entretanto, nem mesmo a leitura pôde ser sua companhia. Perpetuavam, insistentemente, as memórias na sua cabeça. Memórias que remetiam a um tempo perdido, a um amor passado, um sorriso desfeito e um exagero de lágrimas que hoje em dia não pareciam terem sido dela. Não, a menina não havia esquecido nem se quer um terço disso tudo, apesar da tamanha força que exerceu para isso.
Dizem que o tempo tudo suaviza e apaga, contudo parecia ser exatamente o contrário. Quantas vezes o ser humano é capaz de amar? Quantas vezes podemos deixar tudo de lado e somente viver? É possível somente viver?
Nos últimos tempos até mesmo a batida do seu coração parecia querer dizer o nome dele. Poderia até parecer loucura, mas as vezes era como se o vento lá fora, batendo nas janelas de sua casa fosse a respiração de quem a menina amava. Era cômica aquela situação, ao mesmo tempo que destruidora. A graça da vida estava naqueles olhos cor de tempestade e, hoje em dia, até uma borboleta voando era capaz de a fazer lembrar dos gestos dele, das brincadeiras e de toda a alegria que, por algum tempo, parecia real.
Talvez só o tempo mostre para a nossa pequena o que deve ser feito.. Um amor de verdade não se encontra duas vezes, entretanto, qual atitude deve ser tomada quando tudo o que tinha para acontecer parecia já ter acontecido? Talvez, somente talvez, ela estivesse enganada e, na realidade, nada aconteceu.
Ah, ela tinha amado além da própria compreensão… Horrível? Pode ser que não..

Acho muito melhor brigar e discutir com quem amo, que me divertir e sorrir com qualquer outra pessoa.

Querido Adam

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Como é fácil se iludir, como é fácil criar um ser diferente do qual vemos todos os dias. Como é fácil mudar a nós mesmos e a quem amamos… É tão fácil ter um sol cor de rosa e pendurar as nuvens com dois clips de papel. Tudo é tão simples em nossa mente.
Estou cansada, mal posso sentir os meus pés tocarem o chão e talvez esse não seja nem o começo. Olho para baixo, vejo um vidro embaçado e a minha visão se torna completamente turva.. O vento não me lembra as boas noites de inverno, e sim a crua e nua realidade.
Onde estão aqueles olhos agora? Onde está escondida toda aquela juventude e aquela vontade de viver? Como conseguem arrancar isso de mim? Como eles têm coragem de cometer tamanho ato? A vida, meu bem, acabou no começo.
Não, não preciso da sua ajuda. Estar solitária é pouco! Veja aquela parede branca. Não é mais gesso, é aço. Não é mais iluminada, e sim assustadora, ou até mesmo sombria, poderia afirmar.
Finja. Nada está fácil. Nada está como deveria.
Pra sempre, meu querido, eu digo mais uma vez e reafirmo: Todas as músicas românticas que ouço me lembram seu sorriso. Todas as noites frias me lembram das batidas fortes do seu coração. Ainda mais, digo que todas as dores que eu já senti, não se comparam com a extrema ferida que é ver você chorar. Querer você é o mesmo que querer encontrar uma gota de água na imensidão do mais infindável deserto e o mesmo que fazer um elefante voar. Ter os seus olhos olhando novamente dentro dos meus é tão improvável como se atirar do vigésimo quarto andar de um prédio e permanecer vivo. Curioso como desistir não mudou nada aparentemente para nós. Contudo, posso sentir o inverno bater nas paredes do meu vazio.
E eu me conformei sem querer me conformar. Até porque esse tipo de amor sempre fala mais sobre a pessoa que ama do que sobre a pessoa amada. Aliás, concluo dizendo que toda a paixão passa, a não ser que ela se transforme em um amor impossível.. Aí a gente vive uma vida inteira aprisionada na imagem de uma ilusão. Eu sinto saudades, saudades à sério e, sem mais delongas: Dava cabo ao mundo inteiro pra te encontrar.

Um dia a gente acaba

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E ela não se importou com o que lhe disseram da última vez em que esteve por aqui. Além do mais, ela não deu a mínima para a multidão que lhe rogava má sorte. Afinal, aquilo não era uma alucinação e, no fim, a menina esteve certa.
Sim, os ventos sopram ao nosso favor a partir do momento em que decidimos dar “um empurrãozinho” por nós mesmos e, ainda que histórias mal resolvidas tendam a voltar, não devemos olhar para trás.
Aquela voz a estremece, aquele sorriso a contagia, aquele abraço apertado a protege. Eles são como um só,  eles são como um foco de luz no meio da escuridão, são como o nascer do sol, o desabrochar das flores, o voar dos pássaros.
Cartas mal escritas revivem o que o tempo insiste em apagar. A chama daquela lareira lembra um momento feliz, o corredor de gesso lembra das mãos que ficam entrelaçadas enquanto os olhares não chegam a elas. Tudo está vivo naquele ambiente, naquele cheiro de novidade, naquela música de salão, a favorita, em que eles dançam juntos em passos errados.
Ela queria deixar sua casa e, juntamente, seu orgulho. Ela queria poder admitir o quanto depende disso tudo. A menina se alimenta novamente daquele velho acaso, daquelas velhas piadas, trejeitos e manias erradas dele que a fazem sorrir.

O meu coração está em você. Os meus olhos se magnetizam nos teus. O meu sorriso, a minha vida, a minha timidez, a minha vontade, minha pressa e inconsciência, além de toda a minha morte, meu bem, são tuas.

Deixe estar

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Ela não quis escapar, ela não quis acordar e nem mesmo deixar-se ser tocada. Era tarde para sentir o que se aprende com uma nova vida, mas não era tão tarde para amar. Apesar de tudo, a beleza dessas recentes noites não era o suficiente, no entanto seu coração não desejava parar de bater.
Levantou, deixou a água escorregar por seu corpo, agora fragilizado, terminou de se arrumar e saiu com um copo de café na mão. Não, ela não pensou na semelhança do café com os sentimentos que podemos ter, embora tudo o que sentisse fosse, realmente, essa mistura de enigma, escuridão e calor. A sensação era boa, o gosto por trás disso era bom, mesmo que não soubesse o motivo, assim como acontece com o café.
As ruas pelas quais cruzou neste dia estavam nem tão claras e nem tão escuras assim, porém nebulosas. Seus óculos quadrados e velhos se embaçaram e todos os carros que vinham ao longe tinham luzes borradas e coloridas.. Isso, por mais incrédulo que pareça, a lembrava do natal. As árvores balançavam, as folhas de outono caiam e a multidão vivia a sua vida como sempre viveu: Nem sempre tolerante, nem sempre amável, mas com o impulso de continuar, nem que for pela busca de um refúgio.
Ela fechou seus olhos, sentiu-se finalmente livre e descobriu que o que sentia era extraordinariamente bom. Constatou, então, que havia ali, pela primeira vez, alguém em quem ela pudesse confiar e desejasse sem dúvida nenhuma dar a mão. Percebeu que poderia estar sozinha nos momentos favoráveis, mas também notou que recebeu a chance de continuar a sua história em uma folha nova, branca e lisa. Claro, de mãos dadas. A menina decidiu confiar e começar com “era uma vez..”, esperando que o final, em conclusão, seja feliz.

Desta vez, querido, me deixe ver como viver é bom, me deixe sentir em minhas veias o que é que se aprende com uma nova canção nessas rádios mal sintonizadas que ando ouvindo em momentos nem tão propícios, quanto menos agradáveis para isso. Acho que gosto de cores diferentes das suas, acho que gosto de cidades diferentes, mas também acho que a diferença é o que nos une e o que sempre nos uniu. Deixe-me sentir, deixe-me voar. Sem reticências, sem aspas, sem interrogação.

“Não vá embora, fique um pouco mais. Ninguém sabe fazer o que você me faz”.

Somos o que somos

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Ela já estava acordada há horas e ainda não sabia muito bem como proceder. As coisas não haviam mudado assim tão de repente, mas as mudanças eram grandes e, provavelmente, já previstas há alguns anos. Somente ela sabe como não foi fácil tentar estender algo que com certeza estava por um fio. Aliás, foi melhor quando isso acabou.
As ruas estavam úmidas pela tempestade da noite passada e ela estava tentando seguir o seu dia normalmente, sem se preocupar com o que vão lhe perguntar ou com quantas pessoas ainda irão parar o seu andar para lhe falar do que tanto tenta esquecer. Os pássaros lá em cima voavam e, ingenuamente, ela queria ser como eles… Ela queria estar indefesa, ser frágil e fraca, porém ser livre, liberta, única. Não era fácil, ainda, cruzar pelos mesmos lugares, contudo ela não estava infeliz, somente precisava se refazer, se reinventar de vez! Desgostosamente, ela entrou em uma lanchonete e comprou um cappuccino.O que aquele café tinha a ver com o que ela sentia? Talvez tivesse tudo a ver. O café, assim como a paciência, também acaba. O café, assim como o amor, também esfria. Aliás, o amor as vezes é cego. O amor as vezes é um grito no vácuo, um esquecimento de si mesmo, uma lágrima que cai e antecede dezenas que ainda irão cair. O amor é um chiclete que pode perder o gosto se não for “feito pra durar”, é um limão daqueles bem azedos, que depende do seu dono adoçar. O amor é uma mistura do bem e do mau que, inconfundivelmente, fica melhor com esses dois lados juntos do que separados.  Assim, forçosamente, a menina seguiu o seu caminhar e depois realizou os seus afazeres diários. A vida seguiu, nada mudou para ninguém. Na verdade, se não fossem aquelas memórias bagunçadas, aquele andar meio torto e todos aqueles danos internos e hipoteticamente irreparáveis, ela não seria ela.

Devaneio

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Senti que aquela solidão era minha, senti que aquela palidez da neblina do inverno era por minha culpa também. Senti aqueles olhos cabisbaixos como eu sentiria uma facada no meu ego, um choque, um abatimento indescritível. Sim, era você.
Você está aqui novamente. Você está ao meu lado, me dando a sua mão, fazendo as minhas pupilas dilatarem. Quanta saudade eu senti desse seu olhar sem graça e desse seu sorriso que saiu quase escondido pelo receio de estar se aproximando de alguém. É, nisso somos até um pouco iguais, admito.
Se eu soubesse pelo o que estive esperando durante este tempo todo, não teria me importado em nenhum instante. Você está aqui de novo, e dessa vez com a certeza da qual nós precisávamos ter.
Há tanta coisa que eu poderia te dizer, mas meus olhos permanecem parados na lembrança do dia em que eu te disse adeus. Depois daquilo, o que se sucedeu foi pura invenção e perda de tempo.

Não iremos nos perder

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O edredom não foi suficiente para o frio que fez. As rosas não aguentaram o orvalho, as chuvas resolveram não cessar. O café precisou ser esquentado além do quanto era esquentado nas outras manhãs, os passarinhos ficaram em seus ninhos, os cães de estimação permaneceram nas casinhas arranjadas por seus donos. O trabalhador braçal sentiu frio, mas se esquentou no vapor do fogão à lenha. Os professores não deram o primeiro período, as ruas estavam cobertas de neblina e os carros molhados por conta da mesma.

A menina gostava de enxergar o ar da sua própria respiração saindo de sua boca, porém tremia com o ar gélido daquela manhã sem sol. Juntamente com o frio, vinha sempre aquela triste sensação de monotonia e saudade, camuflada na sua expressão apática de todos os dias.

Ao final do dia, acabaria chovendo.. E apesar de todos os pesares, as coisas estariam tomando um rumo certo, do qual a pequena menina saberia que não iria escapar nem depois de todos os passos errados, quanto menos depois de um trago ou dois ou uma ou duas conversas inúteis com pessoas de coração petrificado. Aliás, há males que vem para bem, e a gente sabe disso.

segunda-feira, junho 29, 2015

Por alguns segundos

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Sabe, tenho que confessar que nos últimos tempos tenho me sentido cada vez mais perdida quando estou junto das pessoas.. Sinto que não estive sendo verdadeira com nenhuma delas, em nenhum âmbito social da minha vida e, certamente, seria hipocrisia minha garantir que isso tudo deriva de algum trauma ou alguma memória de tudo aquilo que a gente sabe que passou. Por outro lado, é ridículo pensar que eu subitamente resolvi enlouquecer. Não, não foi nada disso. 

Posso dizer, com toda a sinceridade do mundo, que nos últimos tempos andei mais pra frente que pra trás, mas que também tive o meu receio de continuar e em muitas vezes ainda tenho, coisa que considero normal, já que todos se mostram assim de vez em quando. Não, não sou boa em confessar coisas ou escrever algo legal em um dia qualquer simplesmente porque achei necessário. Enfim, só quero que tudo fique bem, só quero que você fique bem e que todas as coisas fluam em sua ordem natural. 

Um dia a gente se vê de novo. E espero, de verdade, que todos percebam pelo o que eu estive esperando durante este tempo todo. Espero que eu perceba que não preciso de sentimentos falsos para crescer. 

É mesmo, um dia a gente se vê. E tudo estará completo novamente.