Somos o que somos

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Ela já estava acordada há horas e ainda não sabia muito bem como proceder. As coisas não haviam mudado assim tão de repente, mas as mudanças eram grandes e, provavelmente, já previstas há alguns anos. Somente ela sabe como não foi fácil tentar estender algo que com certeza estava por um fio. Aliás, foi melhor quando isso acabou.
As ruas estavam úmidas pela tempestade da noite passada e ela estava tentando seguir o seu dia normalmente, sem se preocupar com o que vão lhe perguntar ou com quantas pessoas ainda irão parar o seu andar para lhe falar do que tanto tenta esquecer. Os pássaros lá em cima voavam e, ingenuamente, ela queria ser como eles… Ela queria estar indefesa, ser frágil e fraca, porém ser livre, liberta, única. Não era fácil, ainda, cruzar pelos mesmos lugares, contudo ela não estava infeliz, somente precisava se refazer, se reinventar de vez! Desgostosamente, ela entrou em uma lanchonete e comprou um cappuccino.O que aquele café tinha a ver com o que ela sentia? Talvez tivesse tudo a ver. O café, assim como a paciência, também acaba. O café, assim como o amor, também esfria. Aliás, o amor as vezes é cego. O amor as vezes é um grito no vácuo, um esquecimento de si mesmo, uma lágrima que cai e antecede dezenas que ainda irão cair. O amor é um chiclete que pode perder o gosto se não for “feito pra durar”, é um limão daqueles bem azedos, que depende do seu dono adoçar. O amor é uma mistura do bem e do mau que, inconfundivelmente, fica melhor com esses dois lados juntos do que separados.  Assim, forçosamente, a menina seguiu o seu caminhar e depois realizou os seus afazeres diários. A vida seguiu, nada mudou para ninguém. Na verdade, se não fossem aquelas memórias bagunçadas, aquele andar meio torto e todos aqueles danos internos e hipoteticamente irreparáveis, ela não seria ela.

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