É cedo ou tarde demais


A manhã está calma como todas as outras manhãs daquele mês. Os pássaros voam, as águias gritam, os sinos da igreja tocam. A menina, consequentemente, seguia os seus passos normalmente. Ela não queria mais pensar em nada… Por que, diabos, tudo era tão diferente dentro dela?!
A menina seguia a sua rotina, caminhava do mesmo lado da rua, via as mesmas flores e sentia os mesmos raios do sol tocarem a sua pele. Tudo era tão igual por fora e desejava desesperadamente que nada mudasse dentro dela também, embora soubesse que já era tarde demais. Não é mais igual.
A menina era feliz e não sabia. Viveu os melhores e os piores momentos da sua vida sem perceber. Viu o amor nascer, florescer e agora vê o mesmo morrer a cada dia mais.. Assim mesmo, sem se perceber. Tudo vai junto, tudo se escoou com a água que lavou o seu rosto e os seus pulsos marcados. A pureza voou com o vento. Vento esse que a menina gostaria infinitamente de abraçar.
Será que é no vento que se encontra todo o amor que ela sempre procurou? Será que é numa marquise empoeirada que ela desejava verdadeiramente ver o mundo inteiro pela primeira e última vez? Céus, ela somente queria encontrar a tão almejada felicidade. Somente queria ter a breve e gostosa sensação de estar fazendo a coisa certa. Horrível pensar assim. As vezes, para ela, isso parecia tão sujo e individualista.. Ainda assim, convenhamos que a menina tinha muito amor para destinar, contudo ela estava presa a si mesma e a tudo o que não realizou. Essa é a parte dolorosa.
Naquela manhã, a menina sentiu falta dos sonhos não realizados, mas que mesmo assim eram compartilhados com quem amava. Sentiu falta dos abraços que não deu, das palavras doces que não ouviu. Contudo, nunca deixou de entender que ela não era o centro, quanto menos a dona do mundo e das pessoas que nele vivem.. A falta dói, mas se compreende. O contundente mesmo era a indiferença, o desrespeito, a imoralidade e toda a desconsideração depois de todos os vãos bons momentos. Provavelmente seja esse o fato mais marcante, talvez mais marcante do que o próprio desamor.

"Mesmo após todo esse tempo, eu nunca encontrarei
Neste mundo inteiro, quem possa me balançar como você
A verdade é que é algo tão sublime que não existem palavras capazes de descrever
A beleza da vida que eu tenho com você."
(Perfect For Me, Ron Pope)

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