20 de março de 2018

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Cor de rosa

Algumas vezes ela imaginou que precisava ir muito longe pra encontrar o seu caminho, porém a menina se enganou. As vezes, tudo o que queremos é aquela rosa do nosso jardim que é igual a todas as outras rosas, porém é a nossa rosa querida e cuidada. 
O dia amanheceu tão calmo naquela manhã. O reflexo do fraco nascer do sol entrava pela janela do seu quarto e acabava com aquele breu. Quando o dia amanheceu, nada mais parecia estar tão ruim quanto na noite anterior. Tudo acaba, e as vezes acaba bem. 
A menina se arrumou e saiu. Será que já é tão tarde assim para que ela possa pular nas poças d'água, como uma criança alegre em uma manhã de outono? As vezes ela pensava ser tão grande em um mundo tão pequeno, contudo esse foi um dos seus piores erros: ela é que era tão pequena para uma terra tão grande, onde as outras pessoas também se achavam tão gigantes e faziam das suas vidas moeda de troca. Será que vale a pena? 
A menina não enxerga mais com os olhos banhados de orgulho e pretensão. Nada vale a pena se no fim, não tiver realmente um fim. Como assim? Acontece que a menina entendeu, enquanto pensava se podia ou não pular nas poças d´água, que o essencial, o verdadeiro, o nobre, aquilo que realmente importa, é invisível aos nossos olhos. No fim da sua reflexão, ela pulou na água, e então recebeu em troca algo invisível aos olhos, mas que era o seu desejo mais profundo: A pequena e, muitas vezes medrosa menina, sentiu-se feliz em enxergar a alegria naquele pequeno gesto e, quem sabe, sentir uma espécie de liberdade em enxergar com o coração. 
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14 de fevereiro de 2018

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Uma gota no oceano

A menina está tentando se acalmar, mas a paisagem passa muito rapidamente por seus olhos enquanto o carro corre. Ela entendeu que não precisa começar novamente, e muito menos precisa de mais tempo para perceber onde está. Isso depende somente dela, e talvez tenha sido sempre assim.
O vento sopra através da janela, o clima quente não a incomoda mais, uma vez que está em casa agora. Todas as árvores balançando, todos andando, todos impetuosos por vencer o mundo, mesmo que se precise ir contra o universo inteiro, mesmo que se perca um amigo nessa jornada. Parece tão difícil ir mais devagar. Parece tão difícil acreditar que existe um momento certo para todas as coisas e que não se deve adiantar os desprazeres e as dores da vida enquanto os males nem mesmo ocorreram.  
É tão difícil fechar os nossos olhos perante um mundo de caos. É tão difícil tentar ir mais devagar, porque as vezes parece que as ondas do mar irão nos levar para muito longe daqui e nunca mais nos encontraremos. 
Não vale a pena se for pra não ser verdadeiro. Não vale a pena se não for pra acreditar num amanhã mais calmo. Não vale a pena se nunca mais pudermos nos deitar naquele gramado e somente olharmos o céu. Não vale a pena se tivermos que sempre perder amigos e se sentir no dever de esquecer as boas lembranças. Não vale a pena se não soubermos o que é verdadeiro e o que não é. Nada fará sentido se um dia decidirmos nunca mais nos ver. O céu perderá o seu azul e a chuva não cessará nem mesmo ao fecharmos nossos olhos. Você se tornaria mais uma gota no oceano, mas ainda assim seria a gota que eu conheci. Mesmo de longe eu poderia saber que seria você e tudo o mais não importaria novamente.
A menina acredita que possamos ir mais devagar. Não precisamos começar novamente, não precisamos voltar ao início, não precisamos acabar. 
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31 de agosto de 2016

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Tempo

Não se pode mais parar no meio da estrada. Não se pode mais dar um abraço bem apertado e se mergulhar em lágrimas. Não se pode mais ouvir aquela velha música acompanhada com um café. Não se pode mais deitar na cama, enrolar-se e simplesmente dormir. Não se pode mais olhar no fundo daqueles olhos e o ouvir daquela boca as palavras mais lindas do mundo. Não se pode mais ouvir dizer que o mundo anda muito rápido e que tudo está virado em um caos. Não se pode mais dar as mãos e não querer nunca mais soltar. Não se pode conversar. Ouvir. Dizer que sentiu falta de alguém. Não se pode brincar, nem mais escrever. E hoje, logo pela manhã, descobri que já não se pode olhar para o céu e, em meio às nuvens, admirar o sol nascer. Nem ao menos fitar o que antes chamaríamos de infinito, posto que agora é somente um dia comum.
           Nós queremos o mundo de volta e queremos o mesmo vento que ventava naqueles fins de tarde na primavera passada. Quero muito, e você sabe, os mesmos pingos da chuva de setembro passado, onde outrora eu te conheci. Quero tanto e se o mundo todo parasse pra ver, veria que tudo o que eu quero no fim se resume em ficar com você.
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1 de junho de 2016

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Um café

O vento bate em nossas costas e aquilo se parece com a liberdade que sempre desejamos ter. Os raios do sol numa tarde de inverno refletem nos seus olhos, e aquilo lembra um afago amigo do qual ela antes sentira tanta falta. A rua está cheia de folhas caídas no chão. Isso, sem querer, nos fez ter vontade de chutar a calçada. 
       Sim, ela esperava por tudo isso como sempre esperou em cada novo ano, porém, agora, esses pequenos detalhes nos trazem uma vontade quase impulsiva de correr de mãos dadas e chorar de rir. Momentos assim, meus caros, são praticamente inesperados em nosso cotidiano, portanto, devem sem dúvida, serem aproveitados. 
      Há muito tempo que não falamos aquilo que está em nossos corações, há muito tempo deixamos a desejar com as nossas mágoas mal resolvidas, nossas questões internas e quase secretas, da qual nos afastamos, não mencionamos, fingimos não existir. Nós também somos fracos, também temos medo, também queremos somente que tudo fique bem no final. A gente precisa das nossas mãos dadas, porque sem isso o mundo parece não girar. Somos poeira estelar, vagando no espaço. Somos um ponto azul no meio do nada. Pra quê sermos importantes? Para quem sermos importantes? Para quem seja importante também e somente para esse "quem". 
      O vento bate em nossas costas, faz um barulho quase assustador em nossas janelas. Ainda assim, nós estamos a salvo. Nós estamos vivos e estamos olhando em nossos olhos com a maior resplandecência possível. Sinceridade, isso eu prometo para nós.
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4 de maio de 2016

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Meu herói

Talvez ela tenha passado muito tempo procurando por algo específico e deixado de viver o momento que lhe entregavam como um presente em suas mãos. Talvez ela tenha visto as folhas das árvores amarelarem e caírem outono após outono, mas não tenha se dado conta do que realmente aquilo significava. Talvez ou, na realidade, muito provavelmente, ela tenha deixado os anos passarem sem com que as folhas amarelassem e caíssem dentro dela e, por consequência, sem amadurecer novos frutos, novos ideais. 
     Talvez o café que ela estava acostumada a beber todos os dias de manhã, não fosse antes tão saboroso quanto agora é. Talvez chutar as folhas de outono que caem naquela rua tão conhecida não fosse antes tão divertido quanto agora é. Talvez e, na realidade, muito provavelmente, cada novo surgir do sol antes não tivesse tanto sentido quanto agora tem. 
      Ela encontrou quem risse das suas piadas infames. Ela encontrou quem chutasse as mesmas folhas e tomasse sempre o mesmo café. Ela encontrou quem achasse graça nos momentos em que ela falasse sozinha. Ela encontrou alguém com muitas manias, que embora diferentes das dela, não são menos importantes. Ela encontrou alguém com ideais austeros e exímios de opinião. Ela encontrou alguém que erra e admite que errou. Ela encontrou alguém que conserta. Ela encontrou um sorriso que por vezes é quase tímido, mas que constantemente se manifesta e resplandece no brilho do olhar. Aliás, "encontrou" aqui é somente para efeito de construção frasal. A menina não encontrou, pois ele não estava perdido. A menina conheceu. Reconheceu. Aconteceu. 
    No fundo, ela sabe que ele também foi um pouco responsável por salvar-lhe da completa escuridão. Ela admite que a vida é feita para se aprender e que nada está completamente solucionado, já que ainda haverão outras questões. Por hora, o que importa é que ela encontrou o seu herói, que faz o mundo ganhar um novo sentido e se tornar um lugar menos ruim de se viver. Sim, um herói sem capa e que ainda aprende a entender a vida, assim como ela.

E, por esse herói, o coração da menina arde.
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19 de março de 2016

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Que o amanhã pra sempre viva

O inverno ainda não chegou, contudo muitas folhas já caíram e muitos galhos já secaram e floresceram novamente. Nos últimos meses, a menina chutou as folhas de outono que caíam pelas ruas algumas dezenas de vezes a mais do que o número de chutes que deu durante o tempo que vivera da sua vida até ali. O tempo ainda não passou, mas é como se tivesse subitamente voado e lecionado à menina coisas que vão desde a pré história até o fim dos tempos e, ao passo atual, ela sabe que não chegou a nenhuma espécie de conclusão apropriada.
Hoje à tarde, a pequena menina decidiu correr novamente. Sim, ela sentiu falta dos pássaros que antes mal conseguia avistar, parecendo mais como borrões em uma tela de pintura colorida de azul. Ela sentiu falta dos pulmões cheios de ar e das vezes em que admirava a astúcia dos cachorros e gatos que perambulavam na avenida em busca de abrigo e proteção. Pode-se dizer ainda que ela tenha até sentido falta de estar verdadeiramente sozinha enquanto se sentia dessa forma, pois o pior estado de solidão é aquele em que estamos acompanhados ao mesmo tempo em que estamos sós e, inquestionavelmente, por vezes isso ainda persiste dentro dela. Nesta tarde, a menina tentou imaginar onde se abrigam todos aqueles pássaros quando a noite vem e tentou imaginar qual fora o local de nascimento dos animais de estimação abandonados. Mesmo sabendo da irracionalidade destes seres, ela se colocou no lugar deles e deu-os sentimentos imaginários. Por alguns segundos, a menina sentiu o que, para ela, os animais desamparados sentiriam: as pessoas veem, olham, passam e, por vezes, até alimentam, mas na realidade quase ninguém se importa com o bem estar, aliás, as pessoas são assim, e elas é que são racionais e corretas, não é mesmo?!
Não, a menina não chegou a uma conclusão sobre tudo o que aprendeu e ainda vem aprendendo, mas elegeu como primeira certeza o fato de que ninguém precisa se contentar com tentativas. Vá e faça e espere que façam também.

Chegado o final do dia, a menina desenhou um coração no vidro embaçado do banheiro, desejando que o coração dela nunca parasse de acreditar no amanhã.
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23 de fevereiro de 2016

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Que horas tu virás?

Provavelmente ela nunca saiba falar com exatidão o que sentia por ele e desde quando começou a sentir algo mais forte. Talvez ela nunca saiba explicar como as coisas se transformaram no que hoje elas são e ainda insisto em dizer que talvez ela nunca quis, antes de tudo, que a vida tomasse esse rumo.
Como estamos agora? Estamos em um abismo, fitando a sua beira com a mesma inocência de uma criança inocente e perdida ou estamos presentes e cientes do quanto isso é importante e do quanto nossas atitudes são definidoras de nossas vidas e, quem sabe, da vida de uma nova geração? O que sou? O que sei agora? O que me tornei?
Sim, não sou a mesma de semanas atrás. Embora eu tenha o mesmo gosto por alguns aspectos peculiares da vida, não tenho mais a mesma visão de como posso sentir o mundo exterior que me cerca. Sou somente eu que me encontro nessa esquina? Não sei se posso confiar cegamente nos olhos que me observam com tanta atenção. Não sei até onde posso prever algo, ou até onde posso tentar diagnosticar e remediar as feridas quase cicatrizadas e a culpa aparentemente perdoada, mas que, quando lembrada, nos rodeia como a presença de alguém estranho é temida em nossos pátios. Nos lembraremos de tudo, mesmo que o pra sempre deixe, porventura, de existir. No fundo, saberemos que fomos os primeiros a assistir aqueles episódios tão aguardados. Nós seremos sempre os nossos primeiros, ainda que, com o passar das décadas, a distância na presença comece a morar em nós, apesar de toda a relutância que possa vir a existir.
Por fim, suplico pra que não nos esgotemos de amor, coragem e sinceridade. Porque se algo maior existe, esse algo está em ti. E, para mim, o brilho dos teus olhos reflete todas estas coisas.

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14 de fevereiro de 2016

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Cores

Aquele foi somente mais um dia qualquer, entretanto, no final dele, o céu resolveu mostrar as suas cores. Assim como ocorre quando as coisas boas surgem na vida de alguém, nem todos perceberam aquele momento único e sublime. Outras pessoas, porém, perderam a chance de ficar em silêncio observando e fotografaram as nuvens cor de rosa. Sim, uma fotografia será guardada intacta por décadas, mas por muitas vezes o presente deve ser mantido e cultivado no instante em que ele é vivenciado.
A menina passou uma vida buscando novas etapas e novos sonhos para serem sonhados. Aliás, ela fez mais: Passou o seu presente planejando o futuro e imaginando as novas pessoas do seu futuro, esquecendo-se, assim, de que haviam amigos ao seu lado e, incontestavelmente, esqueceu de olhar para as borboletas que bajulavam as flores vivas e esqueceu da imensidão azul acima dela. No fim, por sorte, ela acordou.
Acontece, meus caros, que queremos tudo e queremos tudo de todos. Acontece ainda, que quereríamos mais assim que conquistássemos tudo. Uma hora na vida a gente precisa aprender que o nosso presente mostra, em frente aos nossos olhos, o futuro que buscamos enquanto ignoramos o dia a dia. Será mesmo que já não somos ganhadores há muito tempo e ainda não percebemos?
No fim das contas, a menina deixou de ser covarde e assumiu as suas palavras e o seu presente como sendo o sonho tão esperado daquele futuro antigo que era igualmente tão incerto. A vida é valiosa, e aqueles olhos olhando no fundo dos olhos dela são ainda mais. Igualmente, ela não pôde, de forma alguma, se opor ao que cativou e ao que levou ela a ser cativada também. Cada segundo deve ser aproveitado, cada milímetro de vida deve ser respeitado, cada segundo de felicidade deve ser desfrutado e desenvolvido. E essas coisas devem ser assim simplesmente porque elas existem e, especialmente, porque assim como as cores do céu em um final de dia, elas são absurdamente raras, pois amores recíprocos são raros do mesmo modo.

Poucos sabem o quanto isso é incrível.
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8 de fevereiro de 2016

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Estrelas

Imagem para a postagem "Estrelas" no blog Amor e Oxigênio

Talvez o céu não tenha as cores mais belas como foi outrora, mas mesmo assim já é passada a hora de acordar. A menina despertou e saiu a passos largos, mesmo percebendo que não estava atrasada. Sim, ela foi buscar a cor do seu mundo. Ela foi acolher aquele sorriso e foi perceber o convite ao silêncio em meio a um abraço. O coração bateu forte. O coração ardeu.
Muito provavelmente ela tenha esperado uma vida inteira por isso e sem dúvida alguma estava certa do que queria. Não foram mil anos, mas foi tudo aquilo o que ela tinha, e a pequena menina não pode deixar algo assim escorrer por suas mãos, mantidas, assim como a sua mente, atônitas o tempo todo, somente vendo tudo passar porque aquela era a lei maior de sua vida, há alguns meses atrás. A verdade é que tudo passa, é claro, porém somente se deixarmos passar. 
Vamos olhar para cima. Talvez a resposta esteja em olhar para as estrelas. O que será que as estrelas mais velhas carregam para chegar onde chegaram e para estar tão longe quanto estão? O que será que aqueles olhos carregam agora? A verdade é que a menina encontrou a sua estrela e foi ela quem lhe ensinou que devemos sempre olhar para cima. Por fim, ela entendeu que a diferença é um aprendizado e que todos precisam navegar um pouco para encontrar o seu porto seguro.
E nos seus olhos eu aprendi que as estrelas também queimam e algumas até caem. Ainda assim, sempre estaremos olhando para cima, porque a gente sabe que vale a pena.

Não quero ser alguém que vai embora facilmente. Estou aqui para ficar e fazer a diferença que eu puder fazer. Jamais ousarei olhar para baixo novamente, eu te prometo.

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5 de fevereiro de 2016

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Noite

Imagem para a postagem "Noite" no blog Amor e Oxigênio

Porque nossos corações tem um ritmo parecido. Porque o vento morno anunciando a tempestade me lembra do calor das suas mãos. Porque a chuva acaricia a pele. Porque o vento anuncia a chegada do frio e o frio me faz sentir vontade de estar ainda mais perto.

A menina perdeu o sono e desistiu de tentar encontrá-lo novamente. As vezes acontece algo e, então, acabamos por nos situarmos parados, em um estado de quase meditação. Isolação interna, talvez. Os pensamentos voam e se perdem em questões de segundos. É, as vezes devemos ficar quietos e encarar o mundo com os olhos de um adulto e deixar a criança brincar em seu quarto. As vezes devemos tomar conta de nossas palavras que vagam soltas por aí, já que provavelmente alguém irá encontrá-las e nem sempre elas serão serenas como os olhos de uma criança sonolenta.
Talvez os sentimentos dos sonhos sejam diferentes dos sentimentos vividos. Talvez os sentimentos vividos nem sempre são aqueles que falamos de um modo desconexo e por impulso. Talvez o medo se mostre maior que todo o resto e, ainda que não devesse, talvez tenhamos muito por dizer e a voz acabe por falhar.
E, no fim, o dia acaba e poderemos rir novamente. Poderemos andar na beira do mar e admirar a imensidão. E eu, enfim, poderei dizer que os teus olhos são o infinito mais bonito que eu já vi.
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