Um dia a gente acaba


E ela não se importou com o que lhe disseram da última vez em que esteve por aqui. Além do mais, ela não deu a mínima para a multidão que lhe rogava má sorte. Afinal, aquilo não era uma alucinação e, no fim, a menina esteve certa.
Sim, os ventos sopram ao nosso favor a partir do momento em que decidimos dar “um empurrãozinho” por nós mesmos e, ainda que histórias mal resolvidas tendam a voltar, não devemos olhar para trás.
Aquela voz a estremece, aquele sorriso a contagia, aquele abraço apertado a protege. Eles são como um só,  eles são como um foco de luz no meio da escuridão, são como o nascer do sol, o desabrochar das flores, o voar dos pássaros.
Cartas mal escritas revivem o que o tempo insiste em apagar. A chama daquela lareira lembra um momento feliz, o corredor de gesso lembra das mãos que ficam entrelaçadas enquanto os olhares não chegam a elas. Tudo está vivo naquele ambiente, naquele cheiro de novidade, naquela música de salão, a favorita, em que eles dançam juntos em passos errados.
Ela queria deixar sua casa e, juntamente, seu orgulho. Ela queria poder admitir o quanto depende disso tudo. A menina se alimenta novamente daquele velho acaso, daquelas velhas piadas, trejeitos e manias erradas dele que a fazem sorrir.

O meu coração está em você. Os meus olhos se magnetizam nos teus. O meu sorriso, a minha vida, a minha timidez, a minha vontade, minha pressa e inconsciência, além de toda a minha morte, meu bem, são tuas.

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