Não me vi na outra metade


As vezes, no inicio da manhã ou no final do dia, na volta do trabalho, me pego analisando o comportamento das pessoas. Olho discretamente, reparo, analiso com o meu pouco ou nenhum conhecimento sobre o processo inteiro de uma vida e me pergunto se aquilo tudo que elas fazem é bonito ou não. Me pergunto se eu conseguiria “copiar” aquelas tais maneiras de agir. Essa minha análise metódica e contundente sob o modo de se expressar dos outros começou a acontecer a partir do momento em que me vi completamente sozinha, mesmo estando rodeada de olhares curiosos. Foi assim que eu percebi o muito ou pouco afeto de cada uma delas, a educação, o modo como se tratam.. Enfim, talvez não seja educado ou de bom tom reparar, mas faço isso quando vejo uma atitude correta vinda de qualquer pessoa no meio da rua, a fim de, quem sabe, me corrigir, me refazer.
As coisas se tornaram difíceis em um primeiro momento, quando resolvi que estava cansada e ainda na estaca zero. Ao contrário do que dizem as músicas, (por mais que eu goste delas), não temos todo o tempo do mundo e nem podemos dizer que ainda é cedo. Eu disse não pela primeira vez e, também pela primeira vez, não voltei atrás em minhas decisões.
Quem olha de fora pensa que está tudo bem, ou então somente não entende a tal postura dura e a confunde com responsabilidade ou “achismo” intrapessoal. Não digo nada, não olho para os lados, pois tanto faz. A verdade é que guardo mesmo o meu rancor perante as pessoas, porque não estive e nunca estarei rumo à perfeição, achem o que quiserem. Também não sou amiga dos amigos dos meus amigos e nem conquisto as pessoas de imediato. Não falo sempre em bom tom e de vez em quando sinto vergonha do meu “bom dia”. Sei que ninguém entende, mas agora está tudo bem. Sempre, se prejudicar somente a mim e não aos outros, eu considero um bom negócio e é por isso que está bom.
Saudades das coisas que não vivi e dos momentos que acabaram. Vontade de voltar atrás eu não tenho, porque eu não viveria tudo outra vez.. Me recuso. A verdade é que sem você tudo é diferente, até a mágoa aumenta e até a chuva parece mais abundante e sem fim. Quem vai estar aqui quando eu for velhinha? Parece tão ridículo dizer isso.. Nem a metade da meia idade eu tenho.
E de todo o amor que existia, somente restou a vontade de ainda poder conviver em paz. E de tudo que eu amava em você, somente restou a cor dos olhos. Hoje, entretanto, posso dizer que eu estou em paz.

Perdeste a tua intensidade.

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Sobre a autora

Thuane Graciele Knopf Kunz

20 anos, estudante de História, namorada do Bruno e moradora de Novo Hamburgo, RS.

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