Já era tarde, era quase dia


A noite não estava assim tão fria e nem tão nebulosa. Não havia nada de especial ou de novo por ali, nem mesmo a beleza das folhas de outono, pois já era primavera.
A menina desceu as escadas de seu quarto afim de ler um pouco, já que o sono a abandonara de vez. Entretanto, nem mesmo a leitura pôde ser sua companhia. Perpetuavam, insistentemente, as memórias na sua cabeça. Memórias que remetiam a um tempo perdido, a um amor passado, um sorriso desfeito e um exagero de lágrimas que hoje em dia não pareciam terem sido dela. Não, a menina não havia esquecido nem se quer um terço disso tudo, apesar da tamanha força que exerceu para isso.
Dizem que o tempo tudo suaviza e apaga, contudo parecia ser exatamente o contrário. Quantas vezes o ser humano é capaz de amar? Quantas vezes podemos deixar tudo de lado e somente viver? É possível somente viver?
Nos últimos tempos até mesmo a batida do seu coração parecia querer dizer o nome dele. Poderia até parecer loucura, mas as vezes era como se o vento lá fora, batendo nas janelas de sua casa fosse a respiração de quem a menina amava. Era cômica aquela situação, ao mesmo tempo que destruidora. A graça da vida estava naqueles olhos cor de tempestade e, hoje em dia, até uma borboleta voando era capaz de a fazer lembrar dos gestos dele, das brincadeiras e de toda a alegria que, por algum tempo, parecia real.
Talvez só o tempo mostre para a nossa pequena o que deve ser feito.. Um amor de verdade não se encontra duas vezes, entretanto, qual atitude deve ser tomada quando tudo o que tinha para acontecer parecia já ter acontecido? Talvez, somente talvez, ela estivesse enganada e, na realidade, nada aconteceu.
Ah, ela tinha amado além da própria compreensão… Horrível? Pode ser que não..

Acho muito melhor brigar e discutir com quem amo, que me divertir e sorrir com qualquer outra pessoa.

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