Deixe estar


Ela não quis escapar, ela não quis acordar e nem mesmo deixar-se ser tocada. Era tarde para sentir o que se aprende com uma nova vida, mas não era tão tarde para amar. Apesar de tudo, a beleza dessas recentes noites não era o suficiente, no entanto seu coração não desejava parar de bater.
Levantou, deixou a água escorregar por seu corpo, agora fragilizado, terminou de se arrumar e saiu com um copo de café na mão. Não, ela não pensou na semelhança do café com os sentimentos que podemos ter, embora tudo o que sentisse fosse, realmente, essa mistura de enigma, escuridão e calor. A sensação era boa, o gosto por trás disso era bom, mesmo que não soubesse o motivo, assim como acontece com o café.
As ruas pelas quais cruzou neste dia estavam nem tão claras e nem tão escuras assim, porém nebulosas. Seus óculos quadrados e velhos se embaçaram e todos os carros que vinham ao longe tinham luzes borradas e coloridas.. Isso, por mais incrédulo que pareça, a lembrava do natal. As árvores balançavam, as folhas de outono caiam e a multidão vivia a sua vida como sempre viveu: Nem sempre tolerante, nem sempre amável, mas com o impulso de continuar, nem que for pela busca de um refúgio.
Ela fechou seus olhos, sentiu-se finalmente livre e descobriu que o que sentia era extraordinariamente bom. Constatou, então, que havia ali, pela primeira vez, alguém em quem ela pudesse confiar e desejasse sem dúvida nenhuma dar a mão. Percebeu que poderia estar sozinha nos momentos favoráveis, mas também notou que recebeu a chance de continuar a sua história em uma folha nova, branca e lisa. Claro, de mãos dadas. A menina decidiu confiar e começar com “era uma vez..”, esperando que o final, em conclusão, seja feliz.

Desta vez, querido, me deixe ver como viver é bom, me deixe sentir em minhas veias o que é que se aprende com uma nova canção nessas rádios mal sintonizadas que ando ouvindo em momentos nem tão propícios, quanto menos agradáveis para isso. Acho que gosto de cores diferentes das suas, acho que gosto de cidades diferentes, mas também acho que a diferença é o que nos une e o que sempre nos uniu. Deixe-me sentir, deixe-me voar. Sem reticências, sem aspas, sem interrogação.

“Não vá embora, fique um pouco mais. Ninguém sabe fazer o que você me faz”.

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Sobre a autora

Thuane Graciele Knopf Kunz

20 anos, estudante de História, namorada do Bruno e moradora de Novo Hamburgo, RS.

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